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© Foto:
André Coelho/Agência O Globo Avaliação é que
mensagem chegou tarde e não terá impacto na votação.
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Tantas vezes
adiada e modificada, a carta de Dilma Rousseff teve recepção fria no Congresso,
e a avaliação majoritária, entre aliados e opositores, é que a mensagem contra
seu impeachment chegou fora de hora e não terá impacto sobre os senadores. Não
só os indecisos não devem se sensibilizar. O senador Otto Alencar (PSD-BA), que
votou duas vezes contra o impeachment, sinalizou que pode mudar de posição e
avaliou ontem que Dilma será cassada com 60 votos. Já o presidente do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL), até pouco tempo um dos principais aliados de Dilma
no Congresso, criticou a defesa de um plebiscito para decidir sobre antecipação
de eleições gerais.
— Na democracia,
a melhor saída sempre é a saída constitucional e plebiscito e novas eleições
não estão previstos na Constituição. Então isso não é bom — disse Renan.
Já o senador
Otto Alencar disse que a carta de Dilma não muda nada.
— A
repercussão no plenário foi zero. É extemporânea e muita coisa poderia ter sido
evitada se lá atrás ela tivesse assumidos seus erros. Tem uma frase do
imperador Júlio César que diz: quando o sofrimento atinge o auge, renuncie. Mas
cada um tem seu limiar do sofrimento. Eu não aguentaria 10%. Eu passei um ano e
tanto pedindo a Dilma sobre meu projeto da revitalização do São Francisco e
nada. O gesto do presidente Temer acatando meu projeto mexeu comigo — admitiu o
senador baiano, cujo voto já é computado pelo Planalto como favorável ao
impeachment.
O senador
Cristovam Buarque (PPS-DF) — cujo voto foi buscado insistentemente por Dilma —
não gostou da carta:
— Não
acredito que mude nada. Primeiro, não é uma carta aos senadores. O que recebi
foi uma cópia de uma mensagem da presidente da República ao Senado e ao povo
brasileiro. Na forma, Dilma já começou errando. Se ela queria tocar o senador,
deveria mandar-lhes a carta com um cartãozinho pessoal. Em segundo lugar,
chegou muito tarde. Ela teve meses para fazer isso. Por fim, o mais grave, ela
não apresentou nada de concreto de como, em sua volta, levaria o Brasil a sair
da crise que ela nos deixou.
A tropa de
choque dilmista ainda tentou mostrar otimismo. A senadora Fátima Bezerra
(PT-RN) foi à tribuna ler a carta. O líder do PT, Humberto Costa (PT-PE),
apoiou a inclusão do apoio ao plebiscito e disse ser possível vencer a disputa
do impeachment:
— Até o
momento da votação dá tempo para fazermos esse convencimento. Não há um crime
de responsabilidade e, como tal, esse processo está se transformando num
processo contra a democracia brasileira. O melhor caminho seria esse
(realização de plebiscito).

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