'Esse empréstimo era específico
pra Lagoa', disse André Corrêa. Secretário também criticou quantidade de servidores estaduais.
Em entrevista ao Bom Dia Rio, na
manhã desta quinta-feira (5), o secretário Estadual de Ambiente, André Corrêa,
criticou a decisão da Justiça de
confiscar as contas do estado para pagar os aposentados e disse
que, para este ano, foram perdidos R$ 76 milhões que seriam usados para a
despoluição da Lagoa da Barra, onde
apareceram gigogas recentemente. Ele também afirmou que poderia mandar
30% dos funcionários de sua pasta embora para reduzir custos, mas que não pode
por impedimentos jurídicos.
“Eles arrestaram R$ 400 milhões.
Para esse ano, eu perdi R$ 76 milhões. Esse empréstimo era específico pra
Lagoa", disse André Corrêa, referindo-se a decisão judicial que garantiu o
pagamento do salário atrasado de 137 mil aposentados do Rio.
De acordo com o secretário, as ecobarreiras
que foram colocadas na Lagoa pra tentar conter a ploriferação de
gigogas, são medidas paleativas. Corrêa disse ainda que a obra foi licitada em
2013, mas exigências feitas pelo Ministério Público fizeram com que houvesse um
atraso.
“O estado brasileiro, na sua
organização, está caindo de podre. Essa obra foi licitada em 2003, há 13 anos
atrás. A palavra que vem no meu coração é frustração, porque nós tínhamos os
recursos depositados, fizemos a licitação e eu estou há um ano e meio, desde
que eu cheguei, pra tentar começar essa obra. A lei estadual dizia que, pra
fazer essa dragagem, que a gente tinha o dinheiro, precisava apenas de um
relatório ambiental simplificado. Houve uma série de exigências, foram mais de
20 do Ministério Público Federal, e a gente atrasou isso mais de um ano e meio
[...]. Parece que eu ia fazer uma termoelétrica nuclear ali na Lagoa",
disse o secretário.
O secretrário afirmou que respeita
o Ministério Público, mas que as exigências e o arresto de contas são as
causas, atuais, para o impedimento das obras.
“O dinheiro [o estado] tinha. Eu
fiquei um ano e meio para tentar cumpri outras exigências do Ministério Público
para começar essa obra. Eu respeito o Ministério Público, é legítima a
intervenção do Ministério Público, mas ela foi excessiva. Agora, a gente já
cumpriu todas [as exigências]. Levamos um ano pra cumprir todas, novas
audiências, mais estudos. E, agora, aconteceu essa calamidade que a gente está
vendo no estado que foi o arresto. Esse dinheiro, parte era o empréstimo do
Banco do Brasil. O que aconteceu agora, quando a gente começa a vencer todos
esses desafios, esse recurso não podia ser usado para pagar pessoa. É um
recurso carimbado para usar nessa obra da Lagoa. Eu acho isso injusto [ o
arresto]", completou.
Secretário critica quantidade
de servidores estaduais
Corrêa também criticou a quantidade de funcionários, hoje, no estado e afirmou que, se pudesse, demitia 30% do seu quadro.
Corrêa também criticou a quantidade de funcionários, hoje, no estado e afirmou que, se pudesse, demitia 30% do seu quadro.
"Se eu pudesse mandar embora
30% do meu quadro, eu mandava embora e continuava funcionando. Dá pra reduzir.
A lei nos impede. Serviço público tem estabilidade. Eu tive um sujeito na minha
Secretaria que não queria trabalhar, eu afastei ele, mas ele foi na Justiça e
consegui uma liminar. Ou a gente aproveita essa crise pra meter o dedo na
ferida, mandar embora quem não trabalha, porque não é justo de um lado são 500
mil pessoas de um lado que tem que ser respeitadas, 80% dessas pessoas têm que
ser respeitadas, e do outro lado tem 15,5 milhões de pessoas passando
dificuldades”, afirmou o sceretário.
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