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Roberto
Bussamra e o filho Rafael na chegada à delegacia
(Foto: Lívia Torres / G1)
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Envolvidos na morte do filho de
Cissa prestarão serviços comunitários. Rafael e Roberto Bussamra tiveram pena
revertida; ainda cabe recurso.
A atriz Cissa Guimarães gravou um
depoimento exclusivo para o RJTV, nesta quarta-feira (4), e desabafou sobre a
decisão dos desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio
de Janeiro (TJ-RJ). Na terça (3), a Justiça converteu a pena de Rafael Bussamra
e de seu pai, Roberto, envolvidos no atropelamento e morte de Rafael Mascarenhas,
filho de Cissa, em prestação de serviços à comunidade no lugar da prisão(veja o
desabafo no vídeo acima).
“Eu não podia esperar nunca o resultado dessa
maneira depois de tantas violências que foram cometidas. Nós, família, nunca
tivemos qualquer tipo de revolta. O nosso desejo é de Justiça. Agora, um rapaz
que comete um homicídio, ele é ativo sim na corrupção. Ser absolvido da
corrupção, da qual ele foi beneficiário?", disse a atriz.
Cissa fez um protesto contra a
decisão da Justiça e agradeceu o carinho das pessoas que deram apoio à família
após a morte de Rafael. "O que a gente aprendeu ontem é que matar e dar
dinheiro para polícia para não ir preso não é tão grave quanto a gente pensa.
Foi isso que os juízes quiseram nos ensinar ontem. Mas a mim não vai ensinar,
não. Nós não chegamos ao fim e vou continuar na luz do meu filho Rafael. Essas
pessoas, eu tenho certeza, que vão estar marcadas pelo resto da vida. Talvez
nem precisem ser presas, a prisão delas vai ser aqui fora, a vida delas vai ser
uma prisão. A gente vai à luta", concluiu.
"A defesa compreende toda
essa comoção, mas é preciso ficar claro que foi aplicada uma pena. Se foi um
ato emanado do Poder Judiciário, entendo que a justiça foi feita. E a decisão
dos desembargadores se deu com base nos autos do processo. Se atende aos
anseios, é outra questão, e o Judiciário não pode ficar a reboque disso",
afirmou Carlos Eduardo Rebelo,
Entenda o caso
Os desembargadores decidiram, por
unanimidade, pela manutenção da condenação por homicídio culposo de Rafael
Bussamra, que atropelou músico Rafael Mascarenhas. No entanto, a pena – de três
anos e seis meses de detenção em regime semiaberto, acrescida da suspensão da
habilitação para dirigir por igual período – foi revertida em prestação de
serviços à comunidade e ele não será preso.
A decisão ainda cabe recurso em
instâncias superiores (STJ e STF). Rafael e seu pai, Roberto Bussamra, foram
condenados e ficaram presos por poucos dias em janeiro de 2015, até a Justiça
conceder um habeas corpus, para que os dois pudessem aguardar o julgamento do
recurso da defesa em liberdade.
"Ficarão livres prestando
serviços comunitários. Fico pensando que depois de terem feito isto, que
serviços comunitários perigosos essas pessoas prestarão à nossa sociedade.
Medo. Tristeza. Injustiça. Agradeço com o que restou do meu coração à todas às
manifestações de apoio, carinho e respeito que eu e minha família sempre
recebemos nestes 6 anos sem nosso Rafa. Como diz Guimarães Rosa, 'viver é muito
perigoso'. MUITA LUZZZZZ para nós! SALVE RAFAEL!”, escreveu em uma rede social.
Roberto também teve condenação
mantida, pelo crime de corrupção ativa com pena de três anos, 10 meses e 20
dias de reclusão em regime semiaberto, mais pagamento de 18 dias-multa. Segundo
a acusação, ele subornou policiais após o acidente, na tentativa de evitar a
prisão do filho. A Justiça, no entanto, também deu a reversão da pena para
prestação de serviços comunitários.
Os dois terão restrição de saídas
aos fins de semana, de acordo com a decisão.
Rafael foi absolvido do crime de
corrupção ativa. Também foi extinta a punibilidade dos réus quanto aos delitos
"participar de pegar e corridas em via pública"; "afastar-se do
local do acidente"; e "induzir agente público ao erro", por
conta da prescrição punitiva (quando o Estado perde o prazo para punir).
Relembre o caso
O filho da atriz Cissa Guimarães,
Rafael Mascarenhas, foi atropelado na noite do dia 20 de julho de 2010 quando
andava de skate em uma pista fechada para o tráfego de veículos no sentido
Gávea. O jovem foi socorrido ainda com vida e levado para o hospital Miguel
Couto, na Gávea.
De acordo com a secretaria de
Saúde, Rafael Mascarenhas chegou à unidade com politraumatismos na cabeça, no
tórax, nos braços e nas pernas. Ele chegou a ser operado, mas não resistiu aos
ferimentos e morreu.
Segundo a 15ª DP (Gávea), que
investigou o caso, o jovem andava de skate no túnel quando foi atropelado. A
CET-Rio informou que, naquela noite, a pista ficou fechada ao tráfego de
veículos das 1h10 às 4h10.
Em sua defesa, Rafael de Souza
Bussamra, que dirigia o carro, alegou não ter percebido que o túnel onde
ocorreu o acidente estava interditado. O motorista acrescentou que, momentos
antes da colisão, seu carro estava emparelhado com o veículo de um colega e,
por isso, não conseguiu parar a tempo.
Após o atropelamento, Bussamra
contou que policiais o retiraram do túnel e o conduziram ao bairro do Jardim
Botânico. Os PMs, segundo o réu, se encontraram no local com o pai dele,
Roberto, que subornou os agentes para livrar o filho do flagrante.
Do G1 Rio

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