Um terrorista que quiser comprar
armas antiaéreas para fazer guerra só precisa acessar o Facebook. É o alerta
que faz a consultora Armament Research Services (Ares), denunciando o comércio
de armas pesadas através de um “bazar” que vende pistolas, fuzis, metralhadoras,
granadas e até mísseis teleguiados. Evidências mostram um comércio em larga
escala que alimenta conflitos principalmente na Líbia, mas também em Iraque,
Síria e Iêmen, locais onde milícias, o Estado Islâmico e outros grupos
terroristas têm forte presença. Muitas das armas comercializadas partem do
material distribuído pelos EUA a seus aliados no Oriente Médio.
Segundo o estudo, há cerca de 250
a 300 posts de venda de armas por mês. Muitas estão em grupos de discussão
fechados. Entre as armas comercializadas através da rede social e de outros
espaços online, adverte o relatório, estão fuzis Kalashnikov de fabricação
soviética, metralhadoras de calibre pesado, armamento para ser acoplado em
caminhonetes e material mais sofisticado, como armas antitanques, antimísseis e
foguetes modernos com mira sensível a calor.
O grupo registrou 97 tentativas de
transferência ilegal de mísseis e artilharia pesada desde setembro de 2014 em
grupos líbios no Facebook. Um sistema de defesa antiaéreo SA-7 pertencia ao
Estado líbio, mas foi roubado por saqueadores em 2011 após a deposição do
ditador Muamar Kadafi.
Só a ponta do iceberg
Máquinas de armas e mísseis são
apenas uma parte dos materiais traficados no Facebook. Os negócios violam
regras do Facebook que proíbem a comercialização de armamento. Em posse do
relatório, o “New York Times” forneceu à empresa sete exemplos de grupos
suspeitos. A empresa fechou seis, segundo a ex-promotora federal Monika
Bickert, que hoje trabalha no desenvolvimento de conteúdos da empresa, o único
espaço que sobreviveu proibia abertamente este tipo de comércio.
— Como o Facebook começou a
permitir pagamentos pelo serviço de mensagens, além de implementar ferramentas
de estímulo a compras e vendas, tentamos deixar claro que não facilitamos
vendas de armas.
Rastreando movimentações
financeiras dos indivíduos envolvidos, a Ares conclui que grande parte tem
ligações com grupos armados na Líbia e até com jihadistas. Os documentos
mostram, ainda, seis mil comercializações no Oriente Médio. Muitas das armas
vendidas para milícias na Líbias foram originalmente enviadas dos EUA para o
Iraque; outras idênticas às enviadas a rebeldes sírios também estão sendo
vendidas, apesar dos esforços do Facebook.
— Pedimos a todos que vejam
violações que as denunciem a nós — disse Christine Chen, porta-voz do Facebook.
No Iraque, é possível achar armas
que eram providas ao governo pelo Pentágono durante a ocupação americana. Estão
incluídos rifles M16, armas automáticas M249, submetralhadoras MP5 e pistolas
semiautomáticas Glock.
Armas dadas pelos EUA a rebeldes
sírios foram trocadas no Facebook e em outros serviços. Um vendedor no Norte do
país que se identificou como estudante e fotógrafo vendia um rifle de assalto
Kalashnikov, que disse ter obtido do Movimento Hazm, grupo que recebia apoio
dos EUA antes de sua derrota para a Frente al-Nusra, braço sírio da al-Qaeda.
Em outubro, um grupo online
oferecia um “novo lançador de mísseis antitanque”, igual aos dados pelos EUA e
outros países a rebeldes. A postagem incluía um número de telefone no serviço
de mensagens WhatsApp. O vendedor, cuja foto exibe o rosto de um cadáver, disse
que vendeu o material, mas que não lembrava por quanto.
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