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TV Ramon
Fonseca durante entrevista à Reuters na Cidade
do Panamá (Foto:
REUTERS/Reuters)
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O advogado panamenho no centro do
escândalo de vazamento de dados que constrangeu vários líderes mundiais disse
na terça-feira que seu escritório foi vítima de uma invasão cibernética de
alguém de fora da empresa, e apresentou uma queixa junto a promotores federais.
Sócio fundador da Mossack Fonseca,
Ramón Fonseca afirmou que o escritório, especializado na criação de empresas
offshore, não violou nenhuma lei e que suas operações são legais. A firma
tampouco destruiu quaisquer documentos ou ajudou alguém a sonegar impostou ou
lavar dinheiro, acrescentou em entrevista à Reuters.
E-mails da empresa, trechos dos
quais foram publicados em uma investigação do Consórcio Internacional de
Jornalistas Investigativos (ICIJ), sediado nos Estados Unidos, e de outras
organizações de mídia, foram "tirados do contexto" e mal
interpretados, afirmou.
"Descartamos uma ação
interna. Isto não é um vazamento. Isto é um ataque hacker", disse Fonseca,
de 63 anos, na sede do escritório, localizado em um bairro empresarial da
Cidade do Panamá. "Temos uma teoria e a estamos seguindo", acrescentou,
sem entrar em detalhes.
"Já fizemos as queixas
relevantes à Procuradoria-Geral, e há uma instituição governamental estudando o
assunto", disse, acompanhado por dois assessores de imprensa.
Governos de todo o mundo iniciaram
investigações sobre possíveis delitos financeiros cometidos por ricos e
poderosos de vários países depois do vazamento de mais de 11,5 milhões de
documentos, chamados de "Panama Papers", do escritório de advocacia
que cobrem quatro décadas.
Os papéis revelaram arranjos
financeiros de figuras proeminentes, incluindo amigos do presidente da Rússia,
Vladimir Putin, parentes dos primeiros-ministros de Grã-Bretanha e Paquistão e
do presidente da China, Xi Jinping, e o presidente da Ucrânia.
Na terça-feira, o
primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, renunciou,
tornando-se a primeira vítima do vazamento.
"Eles (e-mails) foram tirados
do contexto", disse Fonseca, denunciando o que chamou de "caça às
bruxas". Ele lamentou o que classificou como ativismo e sensacionalismo
jornalístico e louvou suas próprias credenciais de pesquisador investigativo
como romancista publicado no Panamá.
"O único crime que foi
provado é o ataque hacker", afirmou Fonseca. "Ninguém fala disso.
Esta é a matéria".
Abrir uma empresa pode custar em
torno de 700 a 1.000 dólares, disse ele, e uma parte significativa desse valor
vai para o governo. A Mossack Fonseca abriu cerca de 250 mil negócios nos
últimos 40 anos.
O Brasil também está entre os
vários países com autoridades envolvidas no escândalo.
Os documentos obtidos apontam que
o escritório do Panamá Mossack Fonseca criou ou gerenciou cerca de 100 empresas
offshore para ao menos 57 indivíduos ou empresas já relacionados ao esquema de
corrupção na Petrobras investigado pela operação Lava Jato, de acordo com
reportagens.
(Reportagem adicional de Christine Murray)

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