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Presidente
Dilma Rousseff - 16/3/2016(Adriano Machado/Reuters)
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Sessão desta sexta terá
explanações dos acusadores e da defesa. Após três dias de debate, Casa definirá
no domingo se aceita processo de impeachment
Quatro meses depois de o
presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitar o pedido de impeachment
contra a presidente Dilma Rousseff, a Casa começa nesta sexta-feira a definir o
futuro da petista. Os debates estão previstos para começar as 9 horas de hoje.
A votação deve ocorrer neste domingo - e as chances de que Dilma escape da
aprovação do impeachment são cada vez menores.
Aberta a sessão, os juristas
responsáveis por impetrar o pedido de impeachment contra a presidente falarão
por 25 minutos sobre a peça de acusação. Na sequência, a defesa da presidente
tem outros 25 minutos para falar. Depois, até cinco representantes de cada
partido, além dos líderes das bancadas, podem falar da tribuna. No sábado, cada
um dos 513 deputados terá 3 minutos para falar - o que resultará em pelo menos
25 horas de debate. A partir das 14 horas de domingo terá início a sessão
derradeira, em que os parlamentares definem se aceitam ou não o processo contra
a presidente por crime de responsabilidade. Para passar, o impeachment precisa
do aval de 2/3 da Casa - 342 deputados. Se passar na Câmara, o impeachment
segue para o Senado. Somente se os senadores aceitarem o processo, a presidente
Dilma Rousseff será afastada do cargo por 180 dias.
Ao longo desta semana, bancadas
com as quais o Planalto contava para barrar o avanço do processo abandonaram o
barco governista diante da pressão popular: PP, PSD e PTB, por exemplo,
fecharam maioria pelo impeachment. Isso significa que, no domingo, os líderes
dessas legendas vão orientar os parlamentares a votar contra Dilma. A posição
do PP, o partido com mais representantes entre os investigados na Operação Lava
Jato, foi uma das mais emblemáticas derrotas para o Palácio do Planalto, visto
que o governo chegou a oferecer à legenda o Ministério da Saúde e a presidência
da Caixa Econômica Federal. Nem mesmo o saldão promovido por Dilma foi capaz de
conter o isolamento da petista.
Os contornos do fim do governo já
se delineiam de forma tão clara que, na última terça-feira, o Palácio do
Jaburu, residência oficial do vice-presidente Michel Temer, recebeu uma romaria
de deputados de diversos partidos. Parlamentares que estiveram no local
narraram um clima de festa entre os presentes, com direito a fila de carros na
entrada, rodas de conversa entre os congressistas e a discussão de planos para
um eventual governo do peemedebista. "Hoje, o Jaburu virou o
Planalto", resumiu o deputado Sandro Alex (PSD-PR) ao site de VEJA. No
"beija-mão", o vice-presidente da República também reforçou que vai
precisar do Congresso para tirar o país da paralisia e ponderou que uma solução
aos problemas nacionais não virá de forma rápida. "O Michel estava na
dele. Agora, começa a trabalhar e a fazer política. Ele sabe que vai ter de
fazer uma salvação nacional e chamar todos os partidos para ter
governabilidade", resumiu um peemedebista.
Na tarde desta quinta-feira, O
PMDB formou maioria pelo impeachment. Estima-se que 90% da bancada vote contra
Dilma no domingo. Aliado da presidente Dilma Rousseff, o líder do PMDB,
Leonardo Picciani (RJ), vai ter de seguir o posicionamento da maioria e
encaminhar, da tribuna da Câmara dos Deputados, voto favorável ao impeachment,
contrariando seu voto pessoal. A decisão foi tomada em votação simbólica entre
os 54 deputados presentes. A bancada do PMDB na Câmara é a maior da Casa, sendo
formada por 67 parlamentares. Estão presentes no encontro os ministros Celso
Pansera (Ciência e Tecnologia) e Marcelo Castro (Saúde). Eles se licenciaram do
cargo nesta quinta-feira para votar a favor de Dilma no próximo domingo.
Diante da iminência do mau
resultado no plenário da Câmara, o governo entrou com mandado de segurança no
Supremo Tribunal Federal para anular o processo. E sofreu uma acachapante
derrota na madrugada desta sexta-feira, por 8 votos a 2. Os ministros da mais
alta corte do país entenderam que não cabe fazer um "controle
judicial" do teor do parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que na
comissão especial do impeachment afirmou haver indícios de que a presidente
cometeu crime de responsabilidade ao assinar seis decretos de crédito adicional
e praticar as controversas pedaladas fiscais, em 2015, envolvendo operações de
crédito rural.
O processo de impeachment contra
Dilma foi apresentado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr e Janaína
Paschoal e está baseado na acusação de que o governo promoveu uma verdadeira
maquiagem contábil nas contas públicas, escondendo da população a grave
situação financeira da administração pública. A contabilidade criativa foi
levada a cabo com as chamadas pedaladas fiscais, consolidadas, por exemplo, por
meio da edição de decretos não numerados com liberação de créditos
orçamentários. Este foi o principal argumento utilizado pelo presidente da
Câmara dos Deputados Eduardo Cunha para aceitar a denúncia contra a presidente
Dilma. A prática de pedaladas fiscais viola a Lei de Responsabilidade Fiscal,
que proíbe que instituições como o BNDES e a Caixa financiem seu controlador -
neste caso, o governo.

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