Procurador diz que Lava Jato é 'amostra de algo muito maior' | Rio das Ostras Jornal

Procurador diz que Lava Jato é 'amostra de algo muito maior'

Procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador
da força tarefa do Ministério Público Federal na
Operação Lava Jato.
Deltan Dellagnol disse que esquemas tem 'corroído as entranhas' do país. Ele participou de evento do MPF por assinaturas de medidas anticorrupção.
O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, afirmou nesta terça-feira (1º) que a operação Lava jato é “apenas uma amostra de algo muito maior”. Segudo o procurador, que afirmou que os esquemas de corrupção “tem corroído as entranhas” do país, é preciso que haja “transformações sistêmicas”.
Dallagnol participou na terça, em Brasília, de cerimônia em comemoração ao alcance de 1,5 milhão de assinaturas em apoio às 10 medidas contra a corrupção lançadas no ano passado pelo Ministério Público Federal (MPF). As propostas serão encaminhadas agora para o Congresso Nacional. As dez medidas tratam de mudanças específicas em leis penais e processuais, que dependem de aprovação dos parlamentares.
“A Lava Jato tomou dimensões maiores do que qualquer pessoa imaginaria. E mais, a Lava Jato é apenas uma amostra de algo muito maior do que a Lava Jato. A Lava Jato, ela foca em alguns orgãos específicos, mas não há razão pra crer que a corrupção se restringe a isso – não só com base nessa própria investigação, mas com base nos estudos nacionais e internacionais sobre a corrupção no Brasil. Por isso que nós precisamos de mudanças sistêmicas”, afirmou Dallagnol.
O procurador afirmou, ainda, que os esquemas de corrupção investigados são complexos. “Mais importante do que pensar nas próximas fases da Lava Jato, é nós nos perguntarmos se já não sabemos o suficiente no tocante à dimensão dos esquemas de corrupção e à longevidade com que esquemas de corrupção complexos, profundos, têm corroído as entranhas do nosso país”, disse.
Ele também comentou sobre a eventual dificuldade que poderá haver para que o Congresso aprove as medidas propostas pelo Ministério Público. As propostas incluem mecanismos para dar mais transparência ao Judiciário e ao próprio Ministério Público. Entre as sugestões, os procuradores propõem tornar crime o enriquecimento ilícito por parte de agentes públicos e recomendam aumentar as penas para crimes de corrupção, que também se tornaria hediondo.

“Em momento nenhum é fácil passar um projeto de lei no Congresso, porque é um processo complexo que passa por diversas comissões, pela aprovação de um número grande de pessoas. Muitas vezes é difícil de aprovarmos alguma coisa em uma reunião de condomínio, não é verdade? Por isso que nós precisamos da sociedade mobilizada , da sociedade inteira, se unindo, para que nós consigamos aproveitar esse momento, que é uma janela de oportunidades, e promovermos a mudança que nós tantos queremos”, declarou.
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