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O
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enxuga lágrimas durante
encontro com
sindicalistas e membros do Partido dos Trabalhadores
(PT) em São
Paulo (Foto: Nelson Almeida/AFP)
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Operação batizada de Alethea teve
como alvo o ex-presidente Lula.
A Polícia Federal começa a
analisar neste sábado (5) parte do material apreendido na 24ª fase da Operação
Lava Jato, deflagrada na sexta-feira (4). Entre os alvos da nova fase, batizada
de Alethea, está o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi levado para
prestar depoimento à Polícia Federal.
Documentos como arquivos de
computador, contratos, agendas e outros itens de todas as pessoas investigadas
devem ser periciados na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba, onde a
Lava Jato é coordenada.
Além de Lula, também foram alvos das buscas e apreensões três filhos do ex-presidente e pessoas próximas a ele, como o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e a assistente Clara Ant. Houve mandados ainda contra sócios dos filhos de Lula e membros das construtoras Odebrecht, OAS e UTC.
Durante toda a sexta-feira, os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços referentes a essas pessoas. Locais como o Instituto Lula e o apartamento onde o ex-presidente mora também tiveram buscas empreendidas pela PF.
O objetivo da investigação é
levantar provas de que o ex-presidente possa ter sido beneficiado diretamente
com os esquemas de desvios de recursos da Petrobras, descoberto pela Lava Jato.
Segundo o Ministério Público Federal, há ainda indícios de que Lula tenha
recebido um apartamento no Guarujá e um sítio, como forma de pagamento pelas
vantagens dadas a construtoras envolvidas nos casos de corrupção.
Ambos os imóveis não pertencem a
Lula ou familiares nas escrituras. No entanto, o MPF acredita que isso se trata
de ocultação de patrimônio. No caso do sítio, o imóvel é de propriedade de dois
sócios de Fábio Luis da Silva, filho de Lula. Já o apartamento, um tríplex no
edifício Solaris, no Guarujá, pertence a construtora OAS.
O sítio, segundo as investigações,
recebeu uma ampla reforma paga pela construtora Odebrecht. O local é usado pela
família do ex-presidente com certa frequência e chegou a receber festas
organizadas por Lula quando ele ainda estava na presidência, com a presença de
políticos de várias esferas.
Já o apartamento fazia parte de
uma cota adquirida por Lula pelo finado Bancoop, entidade financeira ligada ao
Sindicato dos Bancários de São Paulo. O banco era presidido pelo ex-tesoureiro
do PT, João Vaccari Neto e faliu durante a gestão dele, deixando milhares de
pessoas sem os imóveis que haviam comprado junto à instituição.
Um desses imóveis era o Condomínio
Solaris, cujas obras foram assumidas pela construtora OAS, após a falência do
banco. Alguns proprietários das cotas resolveram aceitar os imóveis, outros, no
entanto, disseram que preferiam receber o dinheiro investido de volta. Lula diz
que está na segunda leva de investidores
e que não é dono do imóvel.
No entanto, depoimentos colhidos
pelo MPF apontam indícios de que uma reforma no valor de R$ 800 mil, paga pela
OAS, foi feita a pedido da família de Lula. A mulher dele, Marisa Letícia,
teria inclusive vistoriado parte da reforma no local, conforme as
investigações.
Outro lado
Lula e a família negam todas as
acusações. Após sair da Polícia Federal, o ex-presidente fez um pronunciamento,
onde voltou a dizer que não é dono de qualquer imóvel apontado pela
investigação como indício de ocultação de patrimônio. Lula também se mostrou
indignado com a forma como houve a operação, lembrando que em nenhum momento
deixou de comparecer para prestar depoimento no âmbito da Lava Jato, quando foi
chamado.
"Se o juiz [Sérgio] Moro e o
Ministério Público quisessem me ouvir, era só ter me mandado um ofício e eu ia
como sempre fui porque não devo e não temo", declarou.
Ao final do pronunciamento, Lula
disse que o mandado de condução coercitiva não "diminui" sua vontade.
"Pelo contrário. Eles acenderam em mim a chama de que a luta
continua", afirmou o ex-presidente.

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