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José
Aldemário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, em depoimento
à CPI da Petrobras no ano passado
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O empresário
Léo Pinheiro, ex-presidente e sócio da empreiteira OAS condenado a 16 anos de
prisão na Operação Lava Jato, decidiu fazer um acordo de delação premiada,
segundo a Folha apurou junto a profissionais e investigadores que acompanham as
negociações. Pinheiro deve relatar casos envolvendo o ex-presidente Lula, como
as reformas do apartamento tríplex no Guarujá (SP) e do sítio de Atibaia (SP),
e pagamentos de suborno que teriam sido feitos pela Odebrecht e para
parlamentares que defendiam interesses da OAS.
Pinheiro era
um dos empreiteiros mais próximos de Lula e de políticos de Brasília. Por
envolver parlamentares com foro privilegiado, a negociação está sendo feito com
a PGR (Procuradoria Geral da República), de Brasília, e não com a força-tarefa
de procuradores federais de Curitiba. A expectativa dos investigadores é que
será a delação mais bombástica da Lava Jato, que já soma 40 colaboradores.
Outros
executivos da empreiteira, como Agenor Franklin Magalhães Medeiros, também vão
participar do acordo, relatando casos de corrupção.
No último
domingo (28), a colunista Mônica Bergamo revelou que executivos da OAS
estudavam fazer a delação.
Nos esboços
das declarações, que estão sendo escritos nesta semana, Pinheiro deve dizer que
a empresa preparou o apartamento do Guarujá para Marisa, mulher de Lula, e que,
posteriormente, ela não quis ficar com o imóvel. Ele confirmará que a OAS
bancou parte das reformas no sítio –a Folha revelou que a obra foi tocada por
uma espécie de consórcio informal de amigos de Lula, formado por OAS, Odebrecht
e a Usina São Fernando, do pecuarista José Carlos Bumlai.
A Odebrecht
já confirmou que um de seus funcionários, o engenheiro Frederico Barbosa, atuou
na reforma, mas não explicou até agora de onde veio o dinheiro para as obras.
Pinheiro
contará, segundo a Folha apurou, que pagou dívidas da campanha de Dilma Rousseff
de 2010, para a agência Pepper. Foram pagos pela OAS R$ 717 mil para a agência
que cuidava da imagem de Dilma nas redes sociais, como o Facebook. Nesta última
terça (1º), a Folha revelou que a Andrade Gutierrez relatou em acordo de
delação ter pago cerca de R$ 6 milhões à Pepper, também em 2010, por meio de
caixa dois. A empresa afirma que prestou os serviços e nega ter recebido
pagamentos ilícitos.
A OAS e a
Odebrecht ganharam em consórcio dois dos maiores contratos da Petrobras, os
quais somam pouco mais de R$ 7 bilhões. Eles envolvem a construção de parte da
refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e da Repar (Refinaria Getúlio Vargas),
no Paraná. Segundo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, as empresas
pagaram R$ 7,06 milhões em suborno para a diretoria de Abastecimento, ocupada
por ele entre 2004 e 2012. No caso da refinaria no Paraná, a UTC também fazia
parte do consórcio.
MENSAGENS
Pinheiro
começou a negociar a delação em dezembro, quando vieram à tona milhares de
mensagens em que Pinheiro discutia pagamentos a políticos com outros dirigentes
da OAS, por meio do aplicativo WhatsApp. A estimativa da PF é que tenham sido
apreendidas cerca de 80 mil mensagens, muitas delas comprometedoras para o
executivo.
Por causa
dessas mensagens, o executivo temia ser preso novamente por decisão do juiz
Sergio Moro.
O
empresário, no entanto, só tomou a decisão final após entendimento do STF
(Supremo Tribunal Federal), em 17 de fevereiro, que determinou o início do
cumprimento da pena de prisão após a condenação em segunda instância.
Léo Pinheiro
foi preso em novembro de 2014, na fase da Lava Jato que apurou o envolvimento
dos dirigentes das empreiteiras contratadas pela Petrobras com o pagamento de
propina a dirigentes da estatal e a políticos. Foi solto por ordem do STF e
preferiu o silêncio.
Em agosto do
ano passado, o juiz Sergio Moro condenou-o a 16 anos de prisão por corrupção,
lavagem de dinheiro e por integrar organização criminosa. Ele recorre em
liberdade.
Se a
condenação for confirmada pelo TRF (Tribunal Regional Federal) de Porto Alegre,
que julga as sentenças do Paraná em segunda instância, Pinheiro corre o risco
de ser preso. Desta vez, não poderá aguardar em liberdade os recursos aos
tribunais superiores.
OUTRO LADO
A Pepper
disse à reportagem que não recebeu nenhum pagamento da OAS em 2010.
Procurados,
a Odebrecht e o Instituto Lula não haviam se manifestado até este momento.

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