Supremo Tribunal Federal tomou uma
decisão histórica ao liberar o cumprimento da pena após o julgamento em segunda
instância
O juiz federal Sergio Moro, que
conduz a Operação Lava Jato em Curitiba, elogiou a decisão do Supremo Tribunal Federal que autoriza o réu a
cumprir pena após o julgamento em segunda instância. O magistrado afirma que o
STF "fechou uma das janelas da impunidade no processo penal
brasileiro".
Em nota divulgada nesta
quinta-feira, o magistrado classificou a decisão como "essencial"
para dar agilidade aos processos e que ela não viola a presunção de inocência,
"já que a prisão opera somente após um julgamento condenatório, no qual
todas as provas foram avaliadas, e ainda por um tribunal de apelação".
"A decisão do Supremo só merece elogios e reinsere o Brasil nos parâmetros
sobre a matéria utilizados internacionalmente", diz o texto.
Em uma decisão histórica tomada
nesta quarta-feira, o plenário do STF alterou a jurisprudência da corte ao
analisar um pedido de habeas corpus que questionava a expedição de um mandado
de prisão pelo Tribunal de Justiça de São Paulo sem que a sentença tivesse
transitado em julgado. Com a mudança, será suficiente apenas uma sentença
condenatória de um tribunal estadual ou regional federal para a execução da
pena. Antes, os réus podiam recorrer em liberdade ao Supremo Tribunal de Justiça
(STJ) e ao STF. E, assim, só passavam a cumprir pena quando acabassem toda a
possibilidade de recursos.
Moro já havia defendido a tese em
audiência no Senado no ano passado. Na ocasião, ele se colocou favorável a um
projeto de lei que permite a prisão de condenados por crimes graves quando há
decisão em segunda instância. Ele explicou aos parlamentares que o atual
sistema favorece a impunidade, uma vez que os infindáveis recursos protelam o
cumprimento de pena por parte dos réus. "Nosso sistema é muito moroso, os
processos dificilmente chegam ao fim. Há casos em que a prova é muito forte,
proferimos juízos condenatórios e não vemos o final do processo", disse
ele.
Confira a nota na íntegra:
"O Egrégio Supremo
Tribunal Federal, com respeito a minoria vencida, tomou uma decisão essencial
para o resgate da efetividade do processo penal brasileiro. No processo penal,
assim como no cível, há partes, o acusado e a vítima de um crime. Ambos têm
direito a uma resposta em um prazo razoável. O inocente para ser absolvido. O
culpado para ser condenado. Não há violação da presunção de inocência já que a
prisão opera somente após um julgamento condenatório, no qual todas as provas
foram avaliadas, e ainda por um Tribunal de Apelação. A decisão do Supremo só
merece elogios e reinsere o Brasil nos parâmetros sobre a matéria utilizados
internacionalmente. A decisão do Supremo fechou uma das janelas da impunidade
no processo penal brasileiro"
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