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Ministro da
Justiça, José Eduardo Cardozo, deve deixar
o cargo
nesta semana
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José Eduardo Cardozo afirmou que o
partido não entende que a instituição tem autonomia para fazer investigações
Pressionado pelo PT após rumores
de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria alvo de quebras de
sigilos bancário, telefônico e fiscal no âmbito da Operação Lava Jato, Cardozo
se sente injustiçado e revelou a interlocutores a decisão de entregar o cargo.
No sábado, 27, Lula se queixou de
estar sendo perseguido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público ao
participar da festa de 36 anos do PT.
"Eu já fui prestar vários
depoimentos. Recebi uma intimação de que, a partir de segunda-feira, vão
quebrar meu sigilo bancário, telefônico, fiscal. O meu, da Marisa, do meu neto,
se precisar até da minha netinha de um mês", disse o ex-presidente, sob
aplausos. "Se esse for o preço que a gente tem que pagar para provar nossa
inocência, que façam. A única coisa que quero é que, depois (…), me deem um
atestado de idoneidade porque duvido que tenha alguém mais honesto que eu neste
País."
José Eduardo Cardozo afirma que só
pode controlar desvios de conduta da PF
A amigos com quem conversou neste
domingo, Cardozo não escondeu o seu aborrecimento com os ataques e afirmou que
o PT não entende o seu papel quando critica a falta de controle sobre a Polícia
Federal. O ministro argumenta que a corporação tem autonomia para fazer
investigações e ele só pode atuar em caso de violação de direitos.
No último dia 22, uma comissão de
dez deputados federais do PT esteve no gabinete de Cardozo para fazer nova
reclamação. Os parlamentares cobraram dele providências sobre as investigações
relativas a Lula e pediram que a Polícia Federal centrasse fogo na apuração de
denúncias contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os petistas também disseram ao
ministro ter certeza de que o objetivo da força-tarefa da Lava Jato era prender
Lula e o criticaram até mesmo por tirar "selfies" com o "japonês
da Federal", numa referência ao agente da PF Newton Ishii , que chegou a
ser expulso da corporação em 2003 e foi reintegrado depois.
A prisão do marqueteiro João
Santana, que fez campanhas de Dilma e Lula, também reforçou a pressão feita por
setores do PT, com apoio do ex-presidente, para que Cardozo seja substituído.
No ano passado, Cardozo chegou a
comunicar a Dilma a intenção de deixar o cargo, mas atendeu a um apelo da
presidente e permaneceu no ministério. Já na época ele era alvo de críticas do
PT por causa da Operação Lava Jato.

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