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Praia do
Atalaia, em Salinas, vira ponto de encontro
de
motoristas (Foto: Tarso Sarraf / O Liberal)
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Banhistas das praias do Atalaia e
Farol Velho dividem espaço com carros.
O empresário Adauto José Souto
mora em Belém mas, diferente de muitos paraenses que aproveitam as altas
temperaturas do mês de julho nos balneários do estado, decidiu passar as férias
em Minas Gerais. O motivo, segundo ele, é a irritação provocada pelo tráfego de
veículos nas praias de Salinópolis, ou Salinas, como é mais conhecida pelos
veranistas a cidade que fica a 214 km da capital.
"Não gosto muito de ir para
Salinas por causa dos carros que ficam nas praias. Deveriam fazer um grande
estacionamento nas proximidades, porque os veículos incomodam demais as
pessoas. Além disso, há risco de acidentes. Eu já vi alguns carros colidindo
nas praias de Salinas", disse.
O tráfego de veículos é liberado
nas praias do Atalaia e Farol Velho, onde banhistas disputam espaço com carros
e motocicletas. Segundo o universitário Pedro Braga Silva, este é o grande
problema do balneário. "Os carros em si não impedem a minha diversão, o
que impede é a falta de organização na praia. Sempre passei as férias em
Salinas e este sempre foi o grande problema", disse.
Mudança de hábito
O servidor público Breno Peck é
frequentador assíduo das praias de Salinas, mas em 2015 preferiu ficar em casa.
"Vou todo santo julho. Este ano eu não fui, dentre outros motivos, pela
praia ser assim e eu não querer expor meu filho pequeno, que acabou de aprender
a engatinhar e sai por aí sem aviso, a este tipo de risco", explica.
De acordo com o servidor, a
presença de carros na faixa de areia é um risco para motoristas e pedestres.
"Pra quem dirige, é arriscado entrar num lugar errado, tem muito engarrafamento
e ainda arrisca atropelar alguém. Pra quem anda a pé, pode não aproveitar a
praia direito", conta.
A alternativa para quem faz
questão de apreciar o litoral, segundo Peck, é mudar hábitos. "Das últimas
vezes em que fui, fiz esquema de vovô: levantei antes das 8h pra chegar na
praia umas 9h15, e saí lá pelas 13 ou 14h, sendo que voltei de Salinas às 8h de
um domingo. Frequentar praia esse horário não garante [tranquilidade], mas ao
menos aumentam as chances de evitar conviver com porres, porres ao volante,
música ruim alta, lixo, pessoas mal educadas que não só atrapalham o descanso
como também colocam a gente em risco".
Fiscalização de trânsito
O ordenamento do trânsito nas
praias de Salinas é feito pela Secretaria de Segurança Pública do Pará em
parceria com o município e o Detran. Segundo o coronel Hilton Benigno, que
coordena a operação, o principal desafio é ordenar o fluxo de veículos na
areia. "Devido ao elevado número de veículos no período de férias fizemos
uma parceria com barraqueios para criar um corredor de tráfego", explica.
Por este corredor passam carros e
motos. Os quadricilos, de acordo com o coronel, só podem transitar em um local
isolado para evitar acidentes. "Eles têm uma área específica desde 2014.
Temos circulação de carros e motos, e não permitimos a entrada de veículos na
maré cheia, porque é um risco [atolar]. Divulgamos a tábua de marés amplamente,
e temos os bombeiros para atuar em caso de risco", disse.
Operação Verão foca na Lei Seca,
segundo coronel Hilton Benigno (Foto: Divulgação / Agência Pará)
Lei seca na areia e no asfalto
Segundo o coronel Hilton, o
tráfego de veículos na areia também causa outra preocupação nos agentes de
segurança pública: evitar que pessoas que beberam na praia voltem para a cidade
dirigindo. Motoristas flagrados na fiscalização podem ser multados em cerca de
R$ 2 mil e, além da infração, responder a processo criminal.
"A lei seca é o principal da
operação. Felizmente observamos uma mudança na cultura da saída das praias, mas
ainda assim até o dia 21 fizemos mais flagrantes que no ano passado: foram
cerca de 40, contra 38 em 2014. Mas os testes negativos também aumentaram, o
que é bom. A nossa intenção não é estar lá para prender, fazer auto de
infração, multar. É educar para os motoristas não combinarem bebida e direção.
E temos sido implacáveis: as fiscalizações iniciam na madrugada e vão até 8, 9
horas da manhã seguinte, quando ainda tem gente na praia", disse o
coronel.

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