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Questionados
sobre conteúdo das músicas e cantos
da torcida,
alunos debocham e ironizam: "Me prenda!
"Reprodução
/ Facebook
|
Evento que reúne as maiores
universidades de Direito do Estado ocorreu neste feriado
Ao menos 50 estudantes de
universidades públicas e privadas do Rio de Janeiro relataram terem sido
vítimas de agressões verbais, físicas e assédio sexual durante os Jogos
Jurídicos Estaduais. Entre a quinta-feira (4) e o domingo (7), atletas e
torcedores de ao menos sete universidades se reuniram para os jogos
universitários que ocorreram em Nova Friburgo, região serrana do Rio.
Além da competição nas quadras, os
estudantes participaram de festas durante os quatro dias. Maria, nome fictício
de uma estudante de direito da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) —
as garotas ouvidas pelo R7 preferiram
não ter as identidades reveladas —, conta que sofreu uma “sucessão de
violências”.
— Quando uma amiga e eu negamos
beijar um garoto, ele jogou todo o copo de bebida em cima de mim. Momentos
depois, outro garoto tentou me beijar à força, eu me recusei e ele me deu um
soco nas costas. Eu só consegui me livrar e sair correndo porque ele estava
muito alterado. Na confusão, perdi o meu celular. Enquanto tentava anunciar a
perda no palco, senti outro garoto colocando a mão entre minhas pernas. Foi
tudo muito surreal.
A estudante pretende registrar a
ocorrência em uma Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) da
capital fluminense.
— A maioria de nós não conhecia a
cidade [Nova Friburgo] e dependia das atléticas para fazer o translado. Por
isso, não conseguimos registrar ocorrências lá.
O assédio sexual foi recorrente
durante todo o evento, segundo relatou Joana, nome fictício de uma estudante de
Administração da Unirio.
— Era praticamente impossível
beijar a minha namorada sem nenhum cara tentar se intrometer. Não foram quatro
ou cinco, foram muitos e em todas as festas. Um deles, inclusive, partiu para
cima da gente.
Ana, nome fictício de uma
estudante de direito da FGV (Fundação Getúlio Vargas), também contou ao R7 o medo durante uma das festas.
— Quando eu fui pegar a cerveja,
um garoto perguntou meu nome e eu não quis responder. Então ele me chamou de
vagabunda. Foi tanta agressividade que eu fiquei com medo de apanhar.
Um grupo de estudantes da UFRJ
(Universidade Federal do Rio de Janeiro) relatou que um estudante da Uerj ficou
nu em frente a elas e exigiu que fizessem sexo oral.
Jogos Sem Machismo
Antes dos jogos, algumas
estudantes lançaram a campanha “Jogos Sem Machismo” para conscientizar as
bandas e as atléticas sobre o conteúdo machista de algumas músicas que animam a
torcida. Durante o evento, houve distribuição de adesivos sobre o tema. Segundo
as estudantes, algumas universidades tentaram adaptar o conteúdo dos cantos.
— Algumas delegações moderaram nas
músicas machistas, a atlética de Direito da Unirio (Universidade Federal do
Estado do Rio de Janeiro) baniu e proibiu músicas que citavam estupro e
agressões, mas, como não é possível haver controle sobre todos os estudantes,
algumas músicas continuavam a ser cantadas.
As estudantes ouvidas pela
reportagem foram unânimes em dizer que não tiveram apoio da segurança do
evento. Maria, inclusive, afirma que houve deboche ao buscar ajuda.
— Os alojamentos não possuíam
segurança. Eram galpões com cerca de cem barracas. Alguns alojamentos eram
mistos com várias faculdades.
A empresa Rio Universitário,
responsável pelas festas, informou que a empresa de segurança era terceirizada
e se dispôs a colaborar com imagens de câmeras de segurança do evento. Confira
a nota na íntegra:
"Nossa orientação é a
remoção do evento em qualquer tipo de agressão e esse episódio não nos foi
informado. Na nossa visão, o controle da segurança é primordial para a
realização do evento. Tivemos um recorde de celulares perdidos devolvidos pela
equipe contratada e nenhum caso de furto reportado. Repudiamos qualquer tipo de
atitude desse tipo e estamos a disposição para qualquer esclarecimento."
Sem medo
No mesmo período, ocorreu em
Vassouras, município do Sul Fluminense, o Jucs (Jogos Universitários de
Comunicação Social). Ao contrário do que aconteceu nos Jogos Jurídicos,
estudantes não hesitaram em cantar músicas com apologia ao estupro.
Em uma página do Facebook
relacionada ao evento, uma mensagem anônima repudiou os cantos das torcidas. Em
resposta, alunos reiteraram o conteúdo das músicas (veja na imagem acima) e
afirmaram que da próxima vez “irão fazer pior”.

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