![]() |
Prótese de titânio foi desenvolvida no Brasil, na
Unicamp, em Campinas |
Procedimento da paciente contemplada
foi acompanhado em Campinas. Placa de titânio usada para reconstrução facial
foi feita em impressora 3D.
O Hospital de Clínicas (HC) da
Unicamp em Campinas (SP) realizou a primeira cirurgia com placa de titânio em
3D do Brasil. O pó do metal é importado e ainda não tinha sido usado para um
procedimento de reconstrução de crânio no país. Uma placa foi confeccionada em
uma impressora 3D para beneficiar uma paciente que precisava reconstruir parte
do rosto, após sofrer um acidente de moto. O procedimento foi um sucesso.
A estudante ficou com um buraco de
12 cm de comprimento no crânio após cair de moto e bater a cabeça em uma
caçamba de entulho há cerca de oito meses. Ossos na região do olho direito
também ficaram fraturados. Uma semana após a reconstituição, a jovem já fazia
planos para o futuro.
"Quero ir no shopping!
Terminar a minha faculdade. Só coisa nova daqui pra frente. Cabeça nova, coisa
nova", conta a estudante.
O procedimento foi feito pelo
Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, como é parte de uma pesquisa da
Faculdade de Ciências Médicas, ainda não há uma previsão para que o
procedimento seja disponibilizado para toda a rede pública.
Reflexos do acidente
Desde que Jéssica sofreu a
colisão, ela nunca deixou de ter dores e desconfortos. Ao bater com a cabeça, a
quina da caçamba atravessou a viseira do capacete, causando o ferimento grave.
Ela esteve lúcida durante a espera pela chance de reconstrução.
"Tontura, dor de cabeça,
mal-estar. O desconforto que eu sinto. Imagina você ter fortes dores de cabeça
todos os dias, todo o tempo", conta.
Persistência deu certo
Logo após o acidente, a família de
Jéssica chegou a fazer o orçamento de uma prótese para reconstruir o rosto
dela. O valor, no entanto, era de R$ 130 mil. A mãe da jovem pesquisou
alternativas, enviou mensagens para locais envolvidos com fabricação e estudos
de próteses.
Uma delas chegou até o Instituto
Biofabris, ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que desenvolveu a
técnica em titânio em parceria com a Unicamp. O exame de tomografia de Jéssica
foi usado como base e um programa de computador criou o modelo virtual do
crânio fraturado.
Uma impressora em 3D produziu o
mesmo modelo em resina e placas de titânio para cobrir os buracos nos ossos
também foram desenvolvidas.
"Esse procedimento existe em
outros países. O ineditismo é que esse procedimento é feito com conhecimento
nacional. Para nós é um grande avanço, porque facilita a reconstrução, permite
um resultado estético extremamente próximo do que era antes e agrega valor de
competências científica e de manufatura ao Brasil", explica Paulo
Kharmandayan, professor do departamento de cirurgia plástica.
Os responsáveis pela pesquisa
precisaram da aprovação do Conselho de Ética da Unicamp para realizar a cirurgia,
já que o material utilizado ainda não tem a aprovação da Anvisa.
Técnica reduz rejeição
As técnicas já conhecidas para
viabilizar a reconstrução da face usam exerto ósseo ou resina acrílica, o
polimetilmetacrilato. No entanto, o resultado é inferior à nova técnica
desenvolvida.
"O polimetilmetacrilato
frequentemente leva a um processo de rejeição. Essa rejeição pode causar
pequenas ou grandes feridas na pessoa, no coro cabeludo ou na face. O titânio,
por sua vez, também é um material biocompatível, mas numa escala muito maior",
afirma o professor.
Para o pesquisador da Biofrabris
André Luís Munhoz, a resistência do titânio vai além dos outros materiais.
"Resistência mecânica, resistência à corrosão, quando dentro do corpo
humano, e a densidade, é um material leve. A recuperação do paciente é como se
fosse uma parte do próprio osso", explica.

0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!