Paulo Okamotto diz que usa mesmo
expediente de doações de outras entidades para financiar projetos do
ex-presidente
Presidente do Instituto Lula e
sócio minoritário do ex-presidente em sua empresa de palestras, Paulo Okamotto
considera que sua convocação para depor na CPI da Petrobras “faz parte da luta
política”. Ele afirmou ao GLOBO que há “uma tentativa de criminalizar o PT” e
se disse “tranquilo” tanto com a convocação para o depoimento quanto com a
possibilidade de ter de prestar contas do Instituto para a Polícia Federal
devido aos R$ 3 milhões recebidos em doação da empresa Camargo Corrêa, uma das
empresas contratadas pela Petrobras e investigadas por suposta distribuição de
propina a partidos e políticos. Os recursos constam, em planilha da
construtora, como “bônus eleitoral”. Tanto a construtora como o instituto
disseram que a qualificação como “bônus eleitoral” foi um “equívoco”.
— Esse depoimento faz parte da
luta política. Que o instituto recebe doações é público e notório. Estou
tranquilo e não tenho nada a esconder. Quando a gente montou o instituto, nós
observamos as experiências internacionais e nacionais para saber como
ex-presidentes mantinham suas instituições — disse Okamotto.
Petista histórico e braço direito
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Okamotto tem uma cota mínima na
empresa de palestras de Lula, a LILS, que recebeu também R$ 1,5 milhão da
Camargo Corrêa. Segundo a assessoria do instituto o pagamento foi feito por
palestras proferidas pelo ex-presidente a pedido da empresa.
— Há uma tentativa clara de
criminalizar o PT— disse Okamotto, referindo-se às denúncias de recebimento de
propina pelo partido durante a Operação Lava-Jato:— Parece que só o PT
arrecadou. Por que, para arrecadar, só o PT teria de ter cometido malfeitos?
Okamotto afirmou que o
ex-presidente Lula criou o instituto para “fazer um trabalho de defesa de
políticas contra a desigualdade e de combate à fome”, além de estabelecer
relações com a África e a América Latina.
— É evidente que, para isso,
recorremos a empresas. O que nós fizemos e fazemos tanto no instituto como na
empresa de palestras não é novidade. No Brasil, há outros ex-presidentes que
devem fazer o mesmo.
O presidente do Instituto Lula
afirmou ainda que não sabe se irá acompanhado de um advogado para a oitiva com
os parlamentares da CPI da Petrobras, em Brasília. Sobre a citação à entidade
nos autos do processo da Lava-Jato, ele disse ter entendido que “a Polícia
Federal fez um trabalho de relacionar todos os pagamentos da empresa”. Ele
disse que só se manifestará mais detalhadamente sobre um eventual inquérito
para apurar o caso quando for notificado sobre o assunto.
Fonte: G1
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