Ela usou dados divulgados pelo
Senado sobre torturas na era Bush.
Médicos e advogados tiveram um
papel chave nas torturas praticadas em prisioneiros acusados de terrorismo nos
centros de detenção clandestinos da CIA, afirma um artigo publicado nesta
quinta-feira (11) pela revista especialista americana "The New England
Journal of Medicine".
A publicação usou como base os
dados divulgados pela Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos no
ano passado, em um relatório que revelou as torturas cometidas pela agência de
inteligência americana durante a presidência de George W. Bush (2001-2009).
"O relatório do Senado nos
mostra como os advogados e médicos podem colaborar para racionalizar a tortura,
uma dinâmica que também foi praticada em prisões militares, como a de
Guantánamo (Cuba), e inclusive em alguns centros de detenção máxima segurança nos
EUA", afirmaram os médicos George Annas e Sondra Crosby no artigo.
O papel dos médicos nas torturas,
indicam, começava na hora de determinar se os terroristas estavam aptos para
serem torturados.
Depois, eles tinham que garantir
que durante os presos não fossem mortos no processo e eram também responsáveis
por curar os ferimentos causados durante a tortura. Alguns chegaram até mesmo a
desenvolver novos métodos, de acordo com a revista.
A CIA e os advogados do
Departamento de Justiça dos EUA garantiam que os médicos teriam imunidade
através de uma cobertura legal feita sob medida para cobrir esse tipo de
prática.
"Os médicos e advogados se
deram permissão constante para fazer o que acordavam entre si", denuncia o
artigo publicado pela "The New England Journal of Medicine".
Um dos métodos de tortura era a
alimentação pela via retal, administrada naqueles que estavam em greve de fome,
uma demonstração de força sobre o prisioneiro.
Após a publicação do relatório do
Senado, o vice-presidente de Bush, Dick Cheney, defendeu que a alimentação
retal era praticada por "razões médicas".
No entanto, a revista assinala que
"não há indicação para a alimentação por via retal", destacando que o
fato de ela ser feita sob supervisão não transforma a técnica de tortura em um procedimento
médico.
"Além da eliminação dos
centros de detenção clandestinos, temos que pedir aos advogados que se neguem a
dar cobertura a práticas de tortura. E aos médicos que só realizem boas
práticas, sempre com o consentimento do paciente", conclui o artigo.

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