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| (Foto: Duran Machfee/Futura Press) |
Vários MCs, entre eles MC Pet, irmão de Daleste, participaram da caminhada.
Após
a morte do músico Daniel Pellegrini, o MC Daleste, assassinado com dois tiros
no último dia 6 durante uma apresentação em Campinas (SP), um grupo de pessoas
promoveu uma caminhada pelas ruas do centro de São Paulo pedindo paz e o
reconhecimento do funk como
atividade cultural em todo o país. Vários MCs, entre eles MC Pet, irmão de
Daleste, participaram da caminhada e foram bastante fotografados e saudados
pelos manifestantes. A Polícia Militar estimou a presença entre 150 e 200
manifestantes, enquanto os organizadores falaram em cerca de 500 pessoas.
A
principal reivindicação da Marcha do Funk pela Paz quer que as autoridades
municipais de todo o país recebam e aprovem o projeto Território Funk, que
pretende regulamentar os shows de funk, e o
reconhecimento como expressão cultural brasileira. Segundo o presidente da Liga
do Funk, Marcelo Galático, a ideia é se reunir em breve com o prefeito de São
Paulo, Fernando Haddad, para apresentar o projeto.
“Esta
manifestação é para que a gente consiga que os governadores do nosso país olhem
e enxerguem o que está acontecendo. O que aconteceu com o MC Daleste foi só a
gota d’água. Já perdemos outros MCs e isso não pode acontecer mais. Temos um
projeto que evitaria esse tipo de problema que aconteceu com o Daleste. Hoje
não conseguimos organizar um evento na comunidade sem que aconteça o que ocorreu
com o Daleste”, disse o presidente da liga.
“O
projeto Território Funk já começa com os pancadões nas comunidades. Esses
pancadões aconteceriam com estrutura total. Onde o Daleste tomou tiro, não
tinha ambulância, para começar. Não tinha segurança no local. Não tinha
banheiro químico. Quem autorizou o evento? Tem que acontecer toda essa questão
burocrática para o evento acontecer como qualquer outro evento em todo o país”,
disse Thelles Henrique, do movimento funk e um dos
diretores da Liga do Funk.
Segundo
Henrique, com a aprovação do projeto que eles pretendem apresentar às
autoridades, o funk passaria a
apresentar uma estrutura. “O projeto se desdobra. Além dos pancadões, teriam
também oficinas de qualificação para MCs, DJs e produtores, e a questão da
mulher no funk. Tem também
a carteirinha do funk, que daria descontos aos funkeiros e o incentivaria a
conhecer outros lados da cultura nacional como o teatro e o cinema”, disse.
A
caminhada começou por volta das 17h20, saindo do Vale do Anhangabaú, passando
pelo Theatro Municipal e pelo Viaduto do Chá, onde está localizada a sede da
prefeitura paulista. Na frente da prefeitura, os manifestantes fizeram um
pequeno ato para pedir uma reunião com o prefeito Fernando Haddad para entregar
o projeto Território Funk.
Depois
do ato em frente à prefeitura, os manifestantes seguiram pela Rua Libero
Badaró, ao lado da prefeitura, e chegaram à sede da Secretaria de Segurança
Pública, onde sentaram no chão em frente ao prédio, fizeram um minuto de
silêncio e rezaram um Pai Nosso em memória a MC Daleste. O grupo cobrou a
apuração das cinco mortes recentes de MCs (MC Primo, MC Careca, MC Dda do
Marapé, Felipe Boladão e DJ Felipe) e o fim da criminalização do funk pelos
policiais. “Queremos paz, justiça e igualdade”, gritaram os manifestantes. “Com
cinco mortes, em três anos, não temos um preso sequer pagando por isso”, disse
Galático, que cobrou a apuração das mortes dos MCs.
A
manifestação terminou por volta das 18h20, em frente à Faculdade de Direito da
Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, local onde os manifestantes
disseram que “pobre não tem lugar”. “O funk quer
respostas do Poder Público, a apuração das mortes e viver em paz nas
quebradas”, disseram. O ato foi pacífico e, durante todo o trajeto, eles
cantaram diversas músicas do movimento funk, entre
elas, algumas de MC Daleste.
Fonte: Agência Brasil

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