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| Pílulas de Ecstasy, uma das substâncias citadas no relatório. |
Um
relatório de uma comissão da Câmara dos Lordes (câmara alta do Parlamento) da
Grã-Bretanha recomendou que a posse e o uso de todas as drogas ilegais sejam
descriminalizados no país.
Segundo o
documento do Grupo Suprapartidário para a Reforma da Política sobre Drogas
(APPG, na sigla em inglês), as substâncias menos prejudiciais devem ser
regulamentadas e vendidas em lojas licenciadas, com rótulos detalhando os
riscos.
A comissão
acredita que as sanções criminais não evitam que os usuários se tornem
dependentes, e só os marginalizam.
O APPG
colheu dados e ouviu conselhos de 31 especialistas e organizações, incluindo a
Associação Britânica dos Delegados de Polícia e o Conselho Consultivo sobre
Abuso de Drogas.
'Relativamente
seguros'
O relatório defende que usuários flagrados com uma pequena quantidade de qualquer droga não sejam penalizados, mas que a venda das substâncias mais perigosas permaneça proibida.
Segundo a
presidente do grupo, Molly Meacher, a atual Lei sobre Uso de Drogas, de 1971,
"é contraproducente na tentativa de reduzir a dependência e os danos de
drogas para os jovens". "O que estamos dizendo é que há uma grande
quantidade de drogas mais seguras do que o álcool e o tabaco."
"Atualmente,
60 milhões de comprimidos de ecstasy são vendidos a cada ano para os jovens,
todos por meio de gangues de criminosos e traficantes."
"Se
os jovens vão comprar essas coisas, não é melhor que eles saibam exatamente o
que estão comprando? Vamos garantir que não estarão usando substâncias
contaminadas, porque serão fornecidas por meio de canais legais. E os jovens
vão de fato estar relativamente seguros", explicou.
Em apoio à
descriminalização do uso de todas as drogas, o relatório faz referência ao
modelo de Portugal, onde houve uma queda no número de jovens viciados a partir
da mudança na legislação.
"Alguns
jovens sempre vão querer experimentar, e eles estão correndo risco real se
apenas puderem comprar drogas menos nocivas de traficantes, que vão sempre
querer empurrar substâncias mais fortes. Os traficantes também têm um claro
incentivo (na proibição) para adulterar os produtos e aumentar seus
lucros", disse o APPG.
Política
eficiente
Um porta-voz do Ministério do Interior britânico agradeceu ao APPG pelo relatório e disse que as recomendações serão consideradas.
No
entanto, um recente pedido feito por deputados para formar uma comissão de
avaliação da descriminalização de drogas foi rejeitado pelo primeiro-ministro
David Cameron, para quem a política atual está funcionando.
Os números
oficiais mostram que o uso de drogas na Inglaterra e no País de Gales está em
seu nível mais baixo desde 1996.
"O
Reino Unido está liderando o caminho para reprimir novas substâncias
psicoativas, ou 'drogas legais'. Publicamos o Plano de Ação no ano passado e
introduzimos classificações temporárias de drogas, para que possamos agir
rapidamente e proibir drogas legais emergentes", disse um porta-voz do
Ministério do Interior.

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