
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), manifestou nesta quarta-feira (28) seu entendimento sobre a indignação do senador Flávio Bolsonaro (PL) em relação ao resultado da eleição presidencial, mas enfatizou a importância de respeitar a decisão das urnas. "A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente", declarou Tarcísio ao Estadão.
A declaração de Tarcísio foi divulgada no mesmo momento em que Flávio Bolsonaro publicou uma carta, inicialmente se declarando "o verdadeiro presidente eleito do Brasil" e acusando o resultado do segundo turno de fraude eleitoral. Posteriormente, o senador revisou o documento, substituindo a expressão por "líder do Brasil" e afirmando sua intenção de liderar a oposição ao governo de Lula.
Flávio Bolsonaro e a carta polêmica
Na carta, Flávio dirigiu-se aos brasileiros e à comunidade internacional, agradecendo ao presidente da Argentina, Javier Milei, e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele também elogiou a atuação do governo americano em defesa da liberdade de expressão. O senador questionou o resultado da votação, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Lula vencedor com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% de Flávio.
Após a decisão do TSE, Flávio viajou para os Estados Unidos com sua esposa e duas filhas. A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinar a entrega dos passaportes brasileiros da família e proibir a saída do país. Moraes deu a ordem minutos após o anúncio oficial da vitória de Lula.
Medidas judiciais contra a família Bolsonaro
A ordem de apreensão dos passaportes de Flávio é parte de uma série de medidas judiciais impostas pelo ministro Alexandre de Moraes a membros da família Bolsonaro. Em 2025, antes da condenação de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, Moraes ordenou buscas na residência do ex-presidente, impôs o uso de tornozeleira eletrônica e estabeleceu restrições à comunicação e ao uso de redes sociais.
Em julho de 2026, publicações de Flávio nas redes sociais foram usadas para impor restrições às visitas a Jair Bolsonaro. O ministro entendeu que a divulgação contornava a proibição de manifestações políticas por terceiros imposta a Jair e suspendeu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias. As visitas foram retomadas em outubro.
O STF também condenou Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, suspendendo seus direitos políticos e cancelando seus passaportes. Eduardo está atualmente nos Estados Unidos.
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