
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), classificou neste sábado, 10 de outubro de 2026, como uma "farsa" as alegações de Daniel Vorcaro sobre um suposto esquema de cobrança de propinas para facilitar investimentos de fundos de pensão no Banco Master. A declaração foi feita em Belo Horizonte, onde o ministro negou veementemente qualquer envolvimento.
As informações, divulgadas pela revista Veja e confirmadas pelo Poder360, apontam que o petista estaria ligado à captação de recursos. Padilha, por sua vez, atribui a situação a uma "armação" política orquestrada por Flávio Bolsonaro (PL) e seu grupo, visando transferir suspeitas sobre as próprias relações do senador com Vorcaro.
As acusações de Daniel Vorcaro e o suposto esquema de propinas
A revista Veja publicou, na sexta-feira, 9 de outubro de 2026, detalhes de uma proposta de colaboração premiada de Vorcaro, que foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). No documento, o fundador do Banco Master alegou que Padilha integrava um grupo que exigia 10% de propina sobre os recursos captados pelo banco junto a fundos de pensão estatais.
Segundo o relato atribuído a Vorcaro, o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais teria facilitado contatos com dirigentes de fundos como a Petros, dos funcionários da Petrobras, e o Postalis, dos Correios. A expectativa do grupo era viabilizar até R$ 10 bilhões em investimentos, com a promessa de receber até R$ 1 bilhão em propinas. Vorcaro também teria pago R$ 500 mil como adiantamento ao grupo, afirma a reportagem. Padilha negou todas as afirmações.
A Polícia Federal, durante a Operação Compliance Zero, obteve áudios e mensagens do celular de Daniel Vorcaro que mostram sua articulação com o grupo de Padilha. Entre os registros, mais de 450 mensagens e 180 telefonemas com Júlio Cezar, um consultor de Goiânia que atuava como intermediário nos contatos com os fundos de pensão. A aproximação teria começado em fevereiro de 2024, após o cancelamento de uma reunião de Vorcaro com a Petros.
Em 1º de março de 2024, Vorcaro teria se reunido com Padilha no Palácio do Planalto, encontro articulado por Hamilton Buzelin. Em maio de 2024, Júlio Cezar prometeu agilizar uma reunião de Vorcaro com Henrique Jäger, então presidente da Petros. Em 29 de abril de 2024, o Banco Master foi incluído na lista de instituições habilitadas a receber investimentos de fundos de pensão, e Júlio Cezar cobrou os R$ 500 mil de Vorcaro, que teria efetuado o pagamento. O Poder360 teve acesso a áudios e mensagens que mostram a articulação de Vorcaro com o grupo de Padilha.
O filme de Lula e a delação rejeitada
Além das acusações de propina, a Veja reportou que Vorcaro afirmou em sua proposta de delação ter pago R$ 30 milhões ao Instituto Lula para ajudar a financiar um documentário sobre o ex-presidente. Em troca, o empresário buscaria acesso a fundos de pensão controlados por petistas, com a intermediação do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O filme em questão é "Lula" (2024), dirigido por Oliver Stone.
A Procuradoria-Geral da República não avançou com a proposta de Vorcaro, alegando falta de provas, especialmente porque os pagamentos ao Instituto Lula teriam sido feitos em dinheiro vivo. A PGR afirmou em nota que as negociações foram mediadas por advogados e que não houve depoimento oral direto do empresário.
A campanha de Lula, em nota, classificou a reportagem da Veja como "estarrecedora" e "irresponsável", por publicar acusações graves sem apresentar provas, a poucas semanas do segundo turno das eleições. Paulo Okamotto, ex-presidente do Instituto Lula, negou ter recebido dinheiro e afirmou que o documentário de Oliver Stone é uma iniciativa exclusiva do diretor, sem envolvimento do Instituto.
A defesa de Augusto Lima, outro envolvido, chamou as informações da reportagem de "narrativa falsa", baseadas em relatos "mentirosos, falsos e delirantes" de uma delação recusada. A defesa de Vorcaro afirmou que não integrava sua banca quando as propostas foram apresentadas e que ele não prestou novos depoimentos sobre o conteúdo da reportagem. João Vaccari Neto não se manifestou até a publicação desta matéria.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso, que gera repercussão no cenário político do Interior do RJ e em todo o país.
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