Incêndio na UFPE: prejuízo milionário e décadas de pesquisa destruídas sob investigação da PF | Rio das Ostras Jornal

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Incêndio na UFPE: prejuízo milionário e décadas de pesquisa destruídas sob investigação da PF

Incêndio na UFPE: prejuízo milionário e décadas de pesquisa destruídas sob investigação da PF
Folhapress

Um terceiro incêndio em pouco mais de uma semana atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, causando um prejuízo estimado em R$ 100 milhões e a perda irreparável de décadas de pesquisa científica. O episódio, que mobilizou o Corpo de Bombeiros na noite da última quarta-feira (7), está sendo investigado pela Polícia Federal, que apura a possibilidade de crime após a circulação de ameaças.

A série de incidentes expõe a delicada situação financeira das universidades federais brasileiras, conforme alertado pelo reitor Alfredo Macedo Gomes. Embora não tenha havido feridos nos três eventos, o impacto na produção acadêmica e na infraestrutura da instituição é devastador.

Fogo consome laboratórios e acervo científico de valor inestimável

O incêndio mais recente devastou o antigo edifício da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), que abrigava laboratórios cruciais para o avanço científico. Entre eles, destacam-se os voltados a fármacos, informática e genética, incluindo a sede do Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica Suely Galdino (Nupit).

O andar superior do prédio foi completamente destruído, levando consigo equipamentos, insumos e materiais de pesquisa. Pesquisadores relatam a perda de dados acumulados em cerca de 20 anos de trabalho, afetando diretamente aproximadamente 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado.

Entre as perdas mais significativas estão amostras biológicas e testes de fármacos essenciais para o enfrentamento da Covid-19 e o tratamento da esclerose sistêmica. Um acervo com mais de 10 mil amostras de quase mil pacientes, parte de um dos maiores estudos mundiais sobre dores decorrentes da chikungunya, também foi consumido pelas chamas, assim como amostras para detecção de biomarcadores de câncer de pulmão e doenças respiratórias.

Polícia Federal investiga ameaças e causas do incêndio

A Polícia Federal foi acionada para investigar o caso devido à circulação de mensagens com ameaças em redes sociais e grupos de estudantes antes do incêndio. A reitoria da UFPE repudiou as intimidações e solicitou uma apuração rigorosa tanto das causas do fogo quanto da origem das ameaças, buscando determinar se a ocorrência foi acidental ou criminosa.

Os trabalhos periciais no local ainda não puderam ser iniciados plenamente devido à necessidade de escoramento da estrutura para evitar desabamentos. A corporação já iniciou oitivas de suspeitos pelo envio das mensagens e utilizou robôs e drones para coletar dados preliminares. Equipes especializadas do Instituto Nacional de Criminalística, vindas de Brasília, darão suporte aos peritos.

Este foi o terceiro incidente na UFPE em pouco tempo. Os dois primeiros, ocorridos em 30 de setembro e 4 de outubro, tiveram causas identificadas: um experimento com câmara de alta temperatura no Departamento de Física e um curto-circuito no ar-condicionado do laboratório de Citogenética, respectivamente.

MEC promete reconstrução e desafios orçamentários persistem

Em resposta à tragédia, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, anunciou o repasse de R$ 28 milhões para a construção de um novo prédio, que terá sua área ampliada de 3.000 m² para 7.000 m². O Ministério da Educação (MEC) também se comprometeu com a recompra integral dos equipamentos de laboratório, com um valor orçado inicialmente em R$ 100 milhões.

Para os alunos e pesquisadores afetados, o governo determinou a extensão dos prazos de bolsas de pesquisa e abriu um edital especial do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), permitindo que teses em fase final sejam concluídas em países como Alemanha, Estados Unidos e França. Mestrandos e professores com bolsas de pós-doutorado também poderão dar continuidade aos seus estudos em outras instituições brasileiras.

Apesar do suporte emergencial, a situação da UFPE reflete um problema crônico de subfinanciamento. O reitor Alfredo Macedo Gomes destacou uma queda de 54% no orçamento discricionário da universidade nos últimos 12 anos. Enquanto em 2014 a instituição dispunha de R$ 213 milhões (equivalente a R$ 414 milhões corrigidos para 2026), a previsão orçamentária do MEC para despesas operacionais e de manutenção em 2026 é de R$ 190 milhões.

A Adufepe (Associação dos Docentes da Universidade Federal de Pernambuco) reforçou que os incêndios evidenciam a vulnerabilidade estrutural das universidades federais e defendeu mais investimentos em manutenção, infraestrutura e segurança. A entidade salientou que o episódio não deve ser tratado como um “fato isolado ou uma fatalidade”, cobrando apuração e ações concretas para garantir a segurança e o futuro da pesquisa no Brasil.

O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e as repercussões para o ensino superior e a pesquisa no país.

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