
Um idoso identificado como Severino Mouzinho Sales morreu após dar entrada com falta de ar no Hospital Municipal Ângela Maria Simões Menezes, em Casimiro de Abreu, na Região dos Lagos. Segundo relatos da família ao g1 Região dos Lagos, o paciente foi carregado pelo filho até a unidade de saúde, mas o atendimento imediato teria sido dificultado após serem direcionados a um acesso alternativo que estava trancado com cadeado.
O caso ocorreu na noite desta segunda-feira. A situação gerou momentos de tensão e revolta na unidade hospitalar, resultando em danos à estrutura física do prédio e na mobilização de equipes de segurança municipal e das forças policiais para o local.
Relatos da família e dinâmica do atendimento
De acordo com Lucas Rocha, neto do paciente, o pai tentou entrar inicialmente pela porta principal da emergência carregando Severino Mouzinho Sales, que fazia tratamento contra tuberculose. Um segurança da unidade, contudo, teria orientado que a entrada ocorresse por um acesso lateral.
Ao chegarem à segunda porta indicada, os acompanhantes constataram que o acesso estava bloqueado por um cadeado. Tomado pelo desespero diante da gravidade do quadro respiratório do idoso, o filho acabou danificando a estrutura para conseguir ingressar no interior do hospital e buscar socorro médico.
Posicionamento da administração municipal
Em nota oficial, a Prefeitura de Casimiro de Abreu, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, contestou parte da versão apresentada pelos familiares e afirmou que a porta de emergência principal permaneceu aberta durante todo o tempo, sem qualquer impedimento para o fluxo de pacientes.
A administração municipal relatou que funcionários se deslocaram para abrir o segundo acesso em menos de um minuto, mas o arrombamento ocorreu antes da abertura. A gestão também apontou que houve registro de conflito, agressão física a um profissional de saúde e que um dos acompanhantes portava arma branca, versão que agora passa pelo crivo das autoridades policiais.
Apuração policial e desdobramentos jurídicos
O caso foi registrado e encaminhado para a 121ª Delegacia de Polícia de Casimiro de Abreu. A delegada responsável, Carla Tavares, informou que a Polícia Civil investiga os fatos relacionados a desacato e vias de fato ocorridos durante a confusão na unidade médica.
A autoridade policial pontuou ainda que, diante do contexto de urgência médica relatado, o arrombamento da porta poderá ser avaliado sob o instituto do estado de necessidade, situação jurídica que afasta a ilicitude do dano material ao patrimônio público. A Prefeitura lamentou o falecimento e reiterou repúdio a atos de violência contra servidores da saúde.
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