
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, revelou em áudios e documentos que teria liberado cerca de R$ 30 milhões em dinheiro vivo para financiar um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Instituto Lula. As informações, divulgadas pela revista Veja na noite da última quinta-feira (8), apontam para um complexo esquema de negócios que visava garantir acesso aos volumosos cofres de grandes fundos de pensão de estatais, como Previ, Petros e Postalis, impactando diretamente a Região dos Lagos e todo o Norte Fluminense devido à relevância dessas instituições no cenário econômico nacional.
Atualmente detido em Brasília desde março sob a acusação de envolvimento em uma das maiores fraudes bancárias do país, Vorcaro detalhou as negociações dos pagamentos, que teriam sido feitas diretamente com o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O caso lança luz sobre as intricadas relações entre o setor financeiro e a política, com repercussões que podem se estender por todo o Brasil.
Pagamentos 'por fora' e o filme de Lula
Nos áudios obtidos pela investigação, o ex-banqueiro explica que o montante destinado ao documentário “Lula”, dirigido por Oliver Stone, e ao Instituto Lula, ocorreu de maneira irregular. “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado”, afirmou Vorcaro em uma das gravações, indicando a natureza ilícita da transação.
A aproximação inicial com o Partido dos Trabalhadores teria sido intermediada por seu ex-sócio, Augusto Lima, com o auxílio do então líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Segundo o relato de Vorcaro, o primeiro encontro com Vaccari estabeleceu a necessidade de adiantamentos em espécie na ordem de aproximadamente R$ 30 milhões para obter os votos necessários ao credenciamento do Banco Master junto aos fundos de pensão.
Além dessa quantia inicial, que cobriria despesas do documentário e repasses ao instituto, Vaccari teria exigido uma taxa de 10% sobre todo o valor que a instituição financeira viesse a captar com os fundos previdenciários. Caso o plano tivesse sido concretizado em sua totalidade, as estimativas apontam que o PT poderia ter embolsado R$ 1 bilhão, enquanto Vorcaro faturaria R$ 9 bilhões, evidenciando a grandiosidade do suposto esquema.
Conexões políticas e desdobramentos da investigação
O esquema, conforme apontado pelo banqueiro, contaria com a participação de figuras de alto escalão do governo. Vorcaro mencionou o envolvimento do então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e de seu secretário-executivo, Olavo Noleto. A conexão com os fundos de pensão teria sido feita por meio de um operador petista, identificado como “Júlio”, que possuía livre acesso ao gabinete de Padilha no Palácio do Planalto.
Em uma reunião reservada com Júlio, Olavo e um primo deste, ficou determinado que a entrada do Banco Master na Previ, Petros e Postalis estaria condicionada ao pagamento de propina de 10% sobre os valores captados. Mensagens recuperadas do celular de Vorcaro demonstram que ele obteve ajuda de Padilha — via Olavo Noleto — para marcar reuniões na Petros e na Previ, além de visitar o Postalis.
A inclusão oficial do Banco Master na “lista exaustiva” que autoriza o recebimento de recursos ocorreu em 29 de abril de 2024. No mesmo dia, o operador Júlio cobrou um repasse de R$ 500 mil, valor que foi pago pelo banqueiro. Em outubro de 2024, conversas indicam que a ala ligada a Padilha tentou articular um encontro direto entre Lula e o banqueiro, com mensagens como “O presidente vai te receber”. No entanto, não há comprovação de que essa reunião tenha de fato acontecido.
A única reunião confirmada no Planalto ocorreu em 4 de dezembro de 2024, articulada pelo advogado Walfrido Warde com o então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana (o Marcola), fora da agenda oficial, focando na situação do Master com o Banco Central. Apesar dos pagamentos e dos contatos políticos, o plano de captação não prosperou como esperado. O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso, que impacta a percepção de credibilidade no cenário político e financeiro do Interior do RJ e de todo o Brasil.
Para mais detalhes sobre as investigações, clique aqui para acessar a matéria original da Veja.
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