Abstenção nas urnas atinge recorde de 21% e preocupa eleitores no primeiro turno | Rio das Ostras Jornal

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Abstenção nas urnas atinge recorde de 21% e preocupa eleitores no primeiro turno

Abstenção nas urnas atinge recorde de 21% e preocupa eleitores no primeiro turno
Folhapress

O primeiro turno das eleições deste ano registrou um índice histórico de abstenção em todo o Brasil, com 21,08% dos eleitores, ou 33,4 milhões de brasileiros, ausentes das urnas. Os dados da Justiça Eleitoral, apurados em quase 100% das seções, apontam para um recorde preocupante no cenário político nacional.

Este patamar supera a abstenção da última eleição presidencial, em 2022, que foi de 20,79%, com 32,7 milhões de ausentes. A tendência de alta no não comparecimento às urnas é observada desde 2006, acumulando um aumento de 4,2 pontos percentuais desde então, refletindo um fenômeno de crescente desengajamento.

Abstenção Recorde: Cenário Nacional e Impacto Regional

Além da abstenção, os votos inválidos – a soma de brancos e nulos – também tiveram relevância, totalizando 4,77% na disputa presidencial deste ano (2,93% nulos e 1,84% brancos). Esse índice é superior aos 4,25% registrados no primeiro turno de quatro anos atrás. Curiosamente, a eleição de 2022 marcou uma exceção à regra, com uma queda na abstenção no segundo turno, atribuída por especialistas ao acirramento da disputa entre os candidatos.

No contexto regional, estados como Mato Grosso do Sul (23,87%), Rio de Janeiro (23,32%), Minas Gerais (22,79%) e São Paulo (22,54%) apresentaram as maiores taxas de abstenção neste primeiro turno. No Rio de Janeiro, esse índice elevado pode refletir desafios específicos ou o perfil do eleitorado local. Em contraste, Ceará (15,52%), Roraima (17,12%), Piauí (17,16%) e Sergipe (17,30%) registraram os menores percentuais de ausência.

Perfil dos Ausentes e Causas da Abstenção

Dados da Justiça Eleitoral de 2022 já indicavam um perfil predominante para os eleitores que se abstêm: majoritariamente homens, com menor grau de instrução e nas faixas etárias entre 21 e 29 anos, além dos maiores de 70 anos, para quem o voto não é obrigatório. Em 2022, por exemplo, analfabetos registraram 52% de abstenção no primeiro turno, enquanto eleitores com ensino superior completo tiveram uma taxa de apenas 12,4%.

O pleito atual também se destaca pelo menor engajamento nas campanhas desde a redemocratização, com a ausência de debates entre os principais candidatos e um baixo interesse geral medido em pesquisas. Cientistas políticos apontam para um somatório de hipóteses para a persistência da abstenção, incluindo uma 'ressaca' das últimas disputas eleitorais, dificuldades de acesso aos locais de votação – comum em regiões remotas e pequenas cidades – e a desatualização do cadastro de eleitores.

Consequências e Implicações para o Voto

O voto é obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos, exceto analfabetos. A justificativa de ausência pode ser feita via aplicativo e-Título do TSE, sem necessidade de documento comprobatório. O não comparecimento sem justificativa acarreta multa de R$ 3,51 por turno, e o título pode ser cancelado após três ausências consecutivas. Em 2025, cerca de 5 milhões de pessoas tiveram seus títulos cancelados por essa razão.

Especialistas interpretam que a facilidade em se abster pode estar influenciando uma queda paulatina dos votos inválidos. Em 2018, a soma de brancos e nulos foi de 8,79%, e em 2002, 10,39%. Essa tendência sugere que eleitores insatisfeitos ou desengajados estão optando pela abstenção em vez de registrar um voto inválido nas urnas, um fenômeno que merece atenção na Região dos Lagos e em todo o Norte Fluminense.

O Rio das Ostras Jornal acompanha de perto os desdobramentos e as análises sobre o comportamento eleitoral na Costa do Sol e em todo o Interior do RJ.

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