
A gigante dos games Ubisoft, conhecida por títulos como Assassin's Creed e Far Cry, determinou o fim do regime de home office regular, exigindo que todas as equipes trabalhem presencialmente cinco dias por semana. A medida, anunciada em 20 de setembro de 2026, acendeu um novo estopim de insatisfação entre seus funcionários e sindicatos, que já enfrentam uma onda de demissões e reestruturações na empresa.
A decisão da companhia, que permite apenas um número limitado de dias de trabalho remoto anualmente, visa, segundo a Ubisoft, fortalecer a colaboração, a troca de conhecimento, a criatividade e a eficiência em um mercado de jogos AAA cada vez mais competitivo. Contudo, essa imposição chega em um momento delicado, com a empresa preparando novos cortes de pessoal e o fechamento de estúdios, intensificando a tensão global.
Crise e a Nova Política de Trabalho
A Ubisoft atravessa uma das maiores reestruturações de sua história recente, marcada por cancelamentos de projetos, cortes significativos de pessoal e o encerramento de estúdios. Nesse cenário de instabilidade, a empresa optou por uma política de retorno presencial que contraria a tendência de flexibilidade adotada por muitas companhias de tecnologia e games. A justificativa oficial da empresa para a mudança é a busca por maior sinergia e produtividade, elementos considerados cruciais para a competitividade no setor.
Apesar das alegações de eficiência, a imposição do trabalho presencial em tempo integral, após anos de regime híbrido ou totalmente remoto para muitos, gerou um clima de apreensão. Funcionários expressam preocupações com a perda de flexibilidade, o aumento de custos com transporte e alimentação, e o impacto na qualidade de vida, especialmente em um momento de incerteza econômica e profissional.
O Debate sobre o "Soft Layoff"
A combinação da exigência de retorno ao escritório com a iminência de novos cortes reacendeu o debate sobre o "soft layoff" na indústria. Este termo se refere a uma estratégia em que a empresa não demite funcionários diretamente, mas implementa mudanças nas condições de trabalho que podem levar parte dos profissionais a pedir demissão voluntariamente. A intenção seria reduzir o quadro de pessoal sem os custos e a imagem negativa associados a demissões em massa.
Não há confirmação de que esta seja a intenção da Ubisoft. Oficialmente, a empresa mantém a narrativa de que a decisão está ligada à eficiência das equipes e à necessidade de fortalecer a cultura corporativa. No entanto, a medida é vista por muitos analistas e trabalhadores como uma forma de pressionar a saída de colaboradores que não se adaptem às novas condições, especialmente aqueles que se beneficiaram do trabalho remoto por longos períodos.
Reação Sindical e Histórico de Conflitos
A disputa pelo modelo de trabalho não é novidade na Ubisoft. Em 2024, sindicatos franceses já haviam convocado uma greve após a empresa exigir a presença nos escritórios por pelo menos três dias por semana. A escalada para cinco dias, agora em 2026, provocou uma reação ainda mais forte por parte das entidades representativas dos trabalhadores.
Na França, o sindicato Solidaires Informatique incluiu, entre suas reivindicações, a manutenção e a ampliação das condições de teletrabalho, argumentando que a flexibilidade é um direito adquirido e um benefício essencial para os funcionários. No Canadá, representantes sindicais também questionaram o fechamento da Ubisoft Halifax, um estúdio que havia sido recentemente sindicalizado, levantando suspeitas sobre as motivações por trás da decisão. Assim, o que poderia ser apenas uma mudança na política interna de trabalho transformou-se em mais um capítulo da complexa crise que a Ubisoft enfrenta globalmente.
Acompanhe mais detalhes sobre a crise da Ubisoft no Olhar Digital.
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