
Uma tragédia abalou o sul do Sudão com o desabamento de uma mina de ouro que resultou na morte de pelo menos 82 pessoas e deixou 50 feridos. O incidente ocorreu na mina de Al-Zaraa, próxima à cidade de El-Nahud, em Kordofan Ocidental, e as operações de resgate, realizadas com métodos rudimentares, continuam em busca de um número indeterminado de soterrados.
O colapso dos poços da mina teve início na última terça-feira, dia 15. Desde então, outros operários se uniram aos esforços de resgate, utilizando as mesmas ferramentas básicas empregadas na extração do ouro. A situação é crítica, e a esperança de encontrar mais sobreviventes diminui a cada hora.
Perigo Constante e Resgate Precário
A proximidade entre os poços da mina de Al-Zaraa é um fator de risco significativo, conforme relatou Al-Amin Suleiman, um mineiro que estava trabalhando nas proximidades no dia do acidente. "Os poços ficam muito próximos uns dos outros; se um desaba, derruba todos os que estão ao lado", explicou. Ele expressou pessimismo sobre a possibilidade de encontrar mais pessoas vivas sob os escombros, lamentando que "ainda há pessoas soterradas. Não acredito que estejam vivas".
Conflito e a Corrida do Ouro
O desabamento expõe a dura realidade do Sudão, um país devastado por um conflito que se arrasta desde abril de 2023. A guerra entre o Exército sudanês e as paramilitares Forças de Apoio Rápido (FAR) tem sido financiada, em grande parte, pelas minas de ouro da região. A instabilidade econômica gerada pelo conflito empurrou grande parte da população para a perigosa atividade da mineração artesanal em pequena escala, muitas vezes em minas abandonadas ou áreas não oficiais como Al-Zaraa, onde a segurança é mínima e os riscos são altíssimos. Essa corrida pelo ouro, embora vital para a sobrevivência de muitos, frequentemente resulta em tragédias como a ocorrida em Kordofan Ocidental.
A situação no Sudão continua tensa, com o conflito afetando diretamente a vida e a segurança de milhares de pessoas. O Rio das Ostras Jornal acompanha os desdobramentos da crise humanitária e dos eventos que marcam a região.
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