Como seria sentir uma obra de arte por meio de vibrações? Essa é a proposta de um projeto desenvolvido por alunos da escola Pensi Casulo, de Rio das Ostras, em parceria com a Robótica School. A iniciativa criou um protótipo capaz de transformar diferentes cores em padrões de vibração.
Batizado de “The Touch Art – Vibre com as cores!”, o
dispositivo foi apresentado na Casa de Cultura Bento Costa Júnior, em Rio das
Ostras, e busca permitir que pessoas com deficiência visual não apenas apreciem
obras de artes visuais, mas também tenham autonomia para criar suas próprias
produções.
Tecnologia a serviço da inclusão
A Casa de Cultura foi escolhida pelas equipes como espaço
para apresentar o projeto por sua importância no cenário cultural da Região e
pela possibilidade de aproximar tecnologia, arte, inclusão e cultura.
Para os idealizadores, a proposta representa uma nova
maneira de experimentar as artes visuais, utilizando o tato e as sensações
provocadas pelas vibrações como instrumentos de interpretação.
“É gratificante ver que a Cultura serve de inspiração para
jovens desenvolverem projetos inclusivos ligados à arte. E saber que a nossa Casa
de Cultura Bento Costa Júnior foi escolhida para essa apresentação nos enche de
orgulho”, declarou Rosemarie Teixeira, presidente da Fundação Rio das Ostras de
Cultura.
Segundo ela, a Fundação mantém as portas abertas para
iniciativas que promovam a inclusão nos espaços culturais. “A arte é para
todos. Todos os envolvidos estão de parabéns”, afirmou.
Cores que podem ser sentidas
O funcionamento do protótipo parte de uma ideia simples, mas
inovadora: associar cada cor a um determinado padrão de vibração. Dessa
maneira, uma pessoa com deficiência visual pode perceber e interpretar uma obra
por meio do tato.
A proposta também abre espaço para que pessoas cegas deixem
de ocupar apenas a posição de público e possam se tornar criadoras de artes
visuais, utilizando a vibração como uma nova linguagem artística.
A ideia, porém, não se limita às pessoas com deficiência
visual. Segundo Shelomi Ferreira da Silva, da Robótica School, qualquer pessoa
pode experimentar uma maneira diferente de perceber as cores.
“Qualquer pessoa pode experimentar uma nova perspectiva
sobre as cores. O artista pode relacionar cada cor a uma sensação: o vermelho,
por exemplo, pode transmitir energia e agitação por meio de uma vibração mais
intensa, enquanto o azul pode representar calma com uma vibração mais suave”,
explicou.
De acordo com Shelomi, o projeto propõe que uma obra possa
ser pensada não apenas para ser vista, mas também para ser sentida. “Pessoas
com deficiência visual também podem deixar de ser apenas público e se tornar
criadoras de artes visuais”, destacou.
Projeto nasceu dentro da escola
A iniciativa surgiu no ambiente escolar com o objetivo de
estimular nos estudantes a curiosidade científica e a busca por soluções
capazes de provocar mudanças positivas na sociedade.
Participam do projeto os alunos Maria Cecília, Gabriela e
Daniel. A orientação é de Leonardo Veloso, pelo Pensi Casulo, e Shelomi
Ferreira da Silva, pela Robótica School.
As duas equipes também adotaram perspectivas diferentes para
o desenvolvimento da proposta. A Robots, do Pensi Casulo, concentrou os estudos
principalmente na aplicação da tecnologia na educação e no ambiente escolar.
Já a Robótica School direcionou o trabalho para possíveis
aplicações em museus, exposições e outros espaços culturais, ampliando as
possibilidades de utilização do dispositivo.
Experiência une robótica, arte e educação
Além de estimular a criatividade, o projeto mostra aos
estudantes que a robótica pode ultrapassar os limites da tecnologia e
estabelecer conexões com áreas como cultura, arte e inclusão.
A experiência também reforça a importância de aproximar os
jovens da Ciência, incentivando-os a pensar em soluções que possam melhorar a
vida das pessoas e ampliar a participação de diferentes públicos na sociedade.
As equipes envolvidas no projeto acumulam uma trajetória de
conquistas. São octacampeãs brasileiras, já venceram o campeonato mundial da
First Lego League (FLL) Jr. e também conquistaram o título de campeãs
brasileiras da World Robot Olympiad (WRO), competição internacional de
robótica.
A conquista na WRO levou os estudantes a representarem o
Brasil na Tailândia.
Rio das Ostras no cenário da robótica
Agora, os jovens voltam a representar Rio das Ostras e o
Estado do Rio de Janeiro em uma nova etapa da WRO.
A competição será realizada neste sábado, 29 de agosto, em
Joinville, Santa Catarina. A participação marca mais um desafio para os
estudantes, que levam para a competição a experiência adquirida em projetos que
unem ciência, tecnologia, criatividade e impacto social.
Enquanto avançam nas competições de robótica, os alunos
também mostram que a tecnologia pode encontrar novos caminhos quando colocada a
serviço da inclusão — até mesmo transformando aquilo que tradicionalmente é
visto em algo que também pode ser sentido.

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