
O Irã declarou que está próximo de finalizar um acordo com Omã para novas rotas de navegação no Estreito de Ormuz, mas reiterou que a reabertura da estratégica via marítima depende de os Estados Unidos atenderem a condições como pagamento de compensações e o fim de sanções e ameaças militares.
A movimentação ocorre após um funcionário americano indicar, na última sexta-feira (7), que Irã e Omã se aproximavam de um pacto para retomar a passagem segura pelo estreito. A rota, crucial para o transporte global de petróleo e gás, foi bloqueada por Teerã em resposta a ataques dos EUA e Israel no final de fevereiro.
Negociações e o Acordo com Omã
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou no último domingo (9) que o acordo com Omã sobre o Estreito de Ormuz estava em seus “estágios finais”. Contudo, ele reiterou declarações feitas no sábado de que Teerã não reabriria a passagem a menos que os Estados Unidos atendessem a determinadas exigências iranianas. Segundo a agência de notícias iraniana Mehr, o acordo com o Irã definiria as novas rotas marítimas a serem utilizadas após o cumprimento dessas condições pelos EUA e a reabertura do Estreito.
Irã e Estados Unidos não estão envolvidos em negociações diretas, e Teerã não iniciará essas conversas enquanto Washington violar um acordo provisório firmado em junho, conforme declarado por Araghchi, que acrescentou que mensagens estão sendo trocadas por meio de intermediários. O presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista à Axios, mencionou que os Estados Unidos estavam “mantendo um perfil discreto” em relação ao Irã, apenas “observando o Irã, com sua enorme inflação e o fato de que eles não têm dinheiro”.
As Exigências Iranianas a Washington
Araghchi afirmou que a reabertura do estreito dependeria, em parte, de os Estados Unidos pagarem uma compensação pelos danos causados nos ataques generalizados contra o Irã. O secretário do principal órgão de segurança nacional do Irã, Mohammad Baqer Zolqadr, enumerou outras exigências cruciais: o fim de novas ameaças americanas contra o Irã; a interrupção da agressão contra o Irã e seus aliados libaneses, palestinos, iemenitas e iraquianos; a retirada de um bloqueio naval americano no Golfo; o levantamento das sanções contra o Irã; e a liberação de ativos iranianos congelados.
Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã há mais de cinco meses. Trump afirmou que os ataques tinham como objetivo impedir que a República Islâmica desenvolvesse armas nucleares e reduzir sua capacidade de ameaçar a região. Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em junho, mas os EUA restabeleceram um bloqueio à navegação iraniana no Golfo em julho, medida que Teerã afirmou violar a trégua, que naquele momento já havia desmoronado.
Um funcionário americano, sob condição de anonimato, disse à Reuters que “assim que o acordo for anunciado para restaurar a navegação comercial sem impedimentos, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos”. As ações dos EUA estariam vinculadas à implementação, pelo Irã, de seus compromissos. Os comentários americanos indicaram uma delicada sequência de etapas para chegar a um acordo que, segundo fontes ouvidas pela Reuters, aparentemente daria a Teerã o controle sobre o tráfego de embarcações que entram no Golfo através do estreito — algo que os armadores afirmam ser difícil de colocar em prática. Os Emirados Árabes Unidos afirmaram no sábado que o Irã havia atacado um navio ligado à sua empresa estatal de petróleo. Não houve comentário imediato do Irã, cuja Guarda Revolucionária já havia atacado anteriormente navios que, segundo ela, tentavam atravessar o estreito sem autorização iraniana.
Cenário de Tensão Regional
Os ataques iranianos contra navios no Estreito de Ormuz foram acompanhados por um aumento dos ataques de seus aliados baseados no Iêmen, os rebeldes houthis, que têm como alvo embarcações em outro ponto estratégico do transporte de petróleo, do outro lado da Península Arábica, entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden.
Os houthis também declararam, no mês passado, um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Mar Vermelho, em resposta ao que afirmaram ser um cerco saudita contra eles no Iêmen. Riad nega a acusação e apoia o governo iemenita reconhecido internacionalmente. O grupo rebelde iemenita afirmou ter atacado no domingo a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco, dois dias depois de o reino assinar um pacto de defesa com os aliados muçulmanos sunitas Turquia e Paquistão, em resposta à crescente instabilidade regional provocada pela guerra entre EUA-Israel e o Irã xiita.
O Ministério da Energia saudita afirmou que um incêndio havia ocorrido na refinaria, mas foi posteriormente controlado, sem deixar feridos. O ministério não informou a causa do incêndio. O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, afirmou que a nova aliança não era dirigida contra o Irã nem contra qualquer outro país, mas representava um compromisso geral de apoio à segurança.
Os combates entre os houthis e as forças governamentais no Iêmen se intensificaram. Na segunda-feira (10), os militares iemenitas afirmaram que sete pessoas, incluindo militares e civis, foram mortas em um ataque houthi contra a cidade portuária de Mocha, no Mar Vermelho. As defesas aéreas interceptaram e derrubaram 11 drones houthis que participaram do ataque, informou o Exército.
Para mais detalhes sobre a importância da região, confira O que acontece com o fechamento dos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb?
O Rio das Ostras Jornal acompanha de perto os desdobramentos dessa crise que impacta o cenário geopolítico global e o mercado de energia, com reflexos que podem ser sentidos em todo o Norte Fluminense e Região dos Lagos.
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