IA Revoluciona Golpes Digitais: Empresas Enfrentam Ameaça de Deepfakes e Voz Clonada | Rio das Ostras Jornal

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IA Revoluciona Golpes Digitais: Empresas Enfrentam Ameaça de Deepfakes e Voz Clonada

IA Revoluciona Golpes Digitais: Empresas Enfrentam Ameaça de Deepfakes e Voz Clonada
Imagem gerada com IA

A inteligência artificial (IA) está redefinindo o cenário dos golpes digitais, tornando-os mais sofisticados e difíceis de detectar. Empresas em todo o mundo, incluindo as da Região dos Lagos e do Norte Fluminense, enfrentam uma nova onda de ameaças que incluem chamadas de voz deepfake, videochamadas falsificadas e e-mails de phishing hiperpersonalizados. A ascensão dessas fraudes tem gerado perdas significativas e forçado organizações a investir mais em cibersegurança.

Uma pesquisa recente da Experian revelou que 60% das 200 empresas consultadas registraram um aumento nas perdas por fraude nos últimos anos. Em resposta, 77% delas estão elevando seus orçamentos para gestão de fraudes. A principal preocupação identificada pelos entrevistados são os ataques de phishing gerados por IA (53%), seguidos por fraudes assistidas por inteligência artificial (51%), falsificação de documentos (45%), ataques de bots (40%) e golpes com deepfake (37%).

A Evolução dos Golpes com Inteligência Artificial

Cody Tyler, CISO e diretor administrativo da EXOS, aponta que a IA não criou categorias de golpes totalmente novas, mas potencializou as já existentes. A maioria dos golpes impulsionados pela tecnologia se enquadra em fraudes de falsificação de identidade, phishing, engenharia social, golpes financeiros e de investimento, e comprometimento de e-mail comercial (BEC).

O grande perigo reside na facilidade com que os criminosos podem convencer suas vítimas. Funcionários com acesso a dinheiro ou sistemas sensíveis, e organizações com recursos limitados de cibersegurança, tornam-se alvos mais vulneráveis. Um exemplo clássico é a “fraude do CEO”, onde golpistas clonam a voz de executivos para instruir um funcionário a transferir fundos imediatamente, como relata Noe Ramos, vice-presidente de operações de IA da Agiloft.

“Funciona porque a voz é real, a autoridade parece legítima e a urgência elimina o ceticismo. Várias empresas perderam centenas de milhões por causa de uma única ligação telefônica”, pontua Ramos. Stanislav Kazanov, chefe de GRC, cibersegurança e sustentabilidade da Innowise, divide os golpes de IA em tentativas de phishing hiperpersonalizadas e falsificação biométrica.

Antigamente, e-mails de phishing eram fáceis de identificar por erros gramaticais ou frases genéricas. Hoje, a IA permite que os atacantes alimentem modelos com perfis de LinkedIn e outras informações públicas da vítima para redigir e-mails altamente sensíveis ao contexto, imitando vícios e estilos de escrita. Isso torna o comprometimento de e-mail comercial (BEC) habilitado por IA uma forma popular e perigosa de ataque.

Como Identificar e Se Proteger Contra Ataques de IA

Para combater essa nova onda de fraudes, muitas empresas estão utilizando a própria IA para fortalecer suas defesas. A pesquisa da Experian indica que 80% dos entrevistados já usam aprendizado de máquina ou IA generativa para identificar atividades suspeitas, melhorar a verificação de identidade e aprimorar a detecção de fraudes.

A clonagem de voz é uma preocupação especial. Victor Smushkevich, fundador da CallSetter AI, alerta que um trecho de apenas três segundos de uma mensagem de correio de voz pode ser suficiente para golpistas replicarem a voz de um CEO e autorizarem uma transferência bancária. A boa notícia é que a defesa contra esses golpes é “brutalmente simples”: toda solicitação financeira por telefone deve exigir um retorno de chamada para um número verificado, sem exceções.

Smushkevich explica que vozes geradas por IA ainda tropeçam em perguntas de acompanhamento não roteirizadas. “Perguntar algo que somente a pessoa real saberia quebraria a ilusão rapidamente.” Contudo, os golpistas continuam aprimorando suas técnicas, e a IA está cada vez mais colaborando com isso. Olga Polishchuk, vice-presidente de investigações da ZeroFox, observa que sinais típicos como problemas de sincronização labial e pele com aspecto artificial estão sendo corrigidos em tempo real.

Danny Jenkins, ex-hacker ético e CEO da ThreatLocker, destaca que os sinais reveladores de IA falsa ou deepfakes incluem latência de áudio, cadência não natural, falhas visuais ou sincronização labial desalinhada. No entanto, o sinal mais importante é o comportamento: se a pessoa entrar em contato com urgência, pressão emocional e pedidos de dinheiro ou informações confidenciais, ligue diretamente para verificar a autenticidade da comunicação.

É crucial que os colaboradores, especialmente aqueles treinados para executar solicitações da alta administração, estejam cientes dos riscos. John Maly, especialista em propriedade intelectual, ressalta que, embora existam ferramentas e serviços para proteger as organizações, ainda não há uma solução única e abrangente. As ferramentas de defesa estão em fase inicial, enquanto as IAs de deepfake evoluem rapidamente para tornar as falsificações menos detectáveis.

A melhor defesa contra os golpes de IA é o próprio cérebro humano. Estamos entrando em uma era menos segura, e é fundamental reprogramar nosso comportamento para sermos mais céticos e cautelosos com qualquer interação remota. Não basta saber em quem confiar; agora, é preciso questionar se a pessoa ou organização com quem se fala é realmente quem parece ser. O Rio das Ostras Jornal acompanha as tendências de cibersegurança para manter a Região dos Lagos informada.

Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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