
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu o Registro de Obra Estrangeira (ROE) ao filme "Dark Horse", cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, no dia 7 de agosto de 2026. Este passo crucial para a exibição e comercialização da obra no Brasil ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal sobre o financiamento do projeto.
O ROE é um pré-requisito para o Certificado de Registro de Título (CRT), essencial para que a produção chegue às salas de cinema, TV aberta ou plataformas de streaming. No entanto, a liberação do registro acontece enquanto a produtora enfrenta um processo administrativo e a origem dos recursos é questionada por autoridades, um tema de grande relevância para a Região dos Lagos e todo o Norte Fluminense.
Financiamento controverso e o Banco Master
A polêmica em torno de "Dark Horse", que também tem o título alternativo "O Azarão", intensificou-se após revelações do jornal Intercept Brasil. Documentos e diálogos indicaram um suposto acordo de R$ 134 milhões entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme. Inicialmente negado, Flávio Bolsonaro posteriormente confirmou ter captado R$ 61 milhões de Vorcaro.
Esses recursos, segundo os documentos, teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025 para o Havengate Development Fund LP, nos Estados Unidos, um fundo ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. A Polícia Federal agora investiga se parte desse montante foi utilizada para custear despesas de Eduardo durante sua estadia nos EUA, embora ele negue ter recebido dinheiro do fundo. Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirma que os recursos foram usados "integralmente" na produção do filme.
Investigação da PF e processo administrativo da Ancine
A Polícia Federal solicitou à Ancine, em 18 de agosto de 2026, informações detalhadas sobre "Dark Horse", com prazo de resposta até o dia 28 do mesmo mês. Este pedido faz parte de uma investigação em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro André Mendonça, que busca esclarecer a movimentação financeira.
Paralelamente, a própria Ancine abriu um processo administrativo contra a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme, de propriedade de Karina Ferreira da Gama. A autuação se deu por irregularidades na realização das filmagens no Brasil, já que a empresa não comunicou previamente a produção de uma obra cinematográfica estrangeira no país, conforme exigido pela legislação. A infração pode acarretar em multa que varia de R$ 2.000 a R$ 100 mil para a produtora. O filme, uma obra de ficção dirigida por Cyrus Nowrasteh, tem duração de 1h40min.
O Rio das Ostras Jornal acompanha de perto os desdobramentos deste caso que envolve cinema, política e justiça no cenário nacional.
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