Abordagem de homem surdo por policial em estação do BRT chama atenção nas redes sociais | Rio das Ostras Jornal

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Abordagem de homem surdo por policial em estação do BRT chama atenção nas redes sociais


Uma abordagem policial dentro de uma estação do BRT, na cidade do Rio de Janeiro, chamou a atenção nas redes sociais depois que imagens da ocorrência começaram a circular. O vídeo mostra um homem surdo sendo abordado por policiais militares que atuavam na segurança dos usuários do sistema.

As imagens registram momentos de tensão durante a abordagem, incluindo uma discussão entre um dos policiais e o cidadão. Passageiros que estavam no local aparecem tentando informar ao agente que o homem era surdo. A gravação também mostra o cidadão com um ferimento no rosto, cuja origem não pode ser determinada com segurança apenas pelas imagens.

O episódio ganhou repercussão principalmente pela dificuldade de comunicação registrada durante a abordagem e por diferentes atitudes do policial que aparecem na gravação. A reportagem não atribui, neste momento, responsabilidade por eventual agressão ou irregularidade, uma vez que os fatos precisam ser esclarecidos a partir de uma apuração completa.

Abordagem começou após suspeita e localização de suposta maconha

Segundo as informações relacionadas ao vídeo, a abordagem teria começado depois que o policial considerou o homem suspeito. Durante a verificação dos pertences, os agentes localizaram dentro da mochila uma pequena ponta de cigarro que, aparentemente, seria de maconha.

O policial também solicita os documentos do cidadão e realiza a averiguação de sua identificação. Em determinado momento, conforme registrado nas imagens, o agente entra em contato com superiores para verificar qual seria o procedimento a ser adotado em relação ao homem.

É importante esclarecer que o porte de cannabis para consumo pessoal não constitui atualmente infração penal, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 506. A decisão estabeleceu parâmetros para diferenciar o consumo pessoal de situações que possam indicar tráfico, além de prever consequências no âmbito extrapenal para a posse destinada ao consumo próprio.

O STF também estabeleceu presunção relativa de uso pessoal para quem estiver portando até 40 gramas de cannabis ou seis plantas-fêmeas, ressalvadas circunstâncias que possam indicar a existência de tráfico.

No caso mostrado no vídeo, entretanto, a quantidade e a natureza exata do material precisam ser consideradas dentro do contexto da ocorrência. A simples localização de uma ponta de cigarro que aparenta conter maconha não permite, por si só, concluir que tenha ocorrido qualquer crime.

Imagens mostram discussão e momentos de tensão

É na sequência da abordagem que o vídeo passa a registrar momentos de maior tensão.

Durante a conversa com o cidadão, o policial aparece exaltado, gesticulando intensamente e utilizando palavras ofensivas e palavrões, conforme é possível ouvir na gravação. Pessoas que estavam na estação tentam intervir verbalmente e alertam o agente de que o homem é surdo.

Em outro momento, depois de aparentemente conversar com superiores sobre a possibilidade de uma viatura comparecer ao local, o policial pega a mochila e o documento de identificação do cidadão e os lança ao chão. Nas imagens, os objetos caem em uma área mais baixa da estação, e o agente também aparece chutando os pertences antes de determinar que o homem deixe o local.

A sequência mostra ainda o policial pegando a suposta ponta de cigarro e exibindo o objeto em direção à área de embarque, aparentemente para demonstrar o motivo da abordagem. O espaço já estava praticamente vazio naquele momento.

Na sequência, o agente se posiciona próximo ao parapeito da estação e, de frente para o homem surdo, retira uma arma de fogo do coldre, permanecendo com a pistola visível enquanto determina que o cidadão deixe o local.

A retirada da arma durante aquele momento é um dos aspectos que chamam atenção no vídeo e que poderão ser esclarecidos por uma eventual apuração das autoridades responsáveis.

Passageiros alertaram que o homem era surdo

Um dos pontos mais evidentes da gravação é a tentativa de pessoas presentes na estação de informar ao policial que o cidadão era surdo.

O episódio coloca em discussão a importância de recursos adequados de comunicação durante abordagens envolvendo pessoas com deficiência auditiva, especialmente quando a interação ocorre em uma situação de tensão.

A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é reconhecida pela legislação brasileira como meio legal de comunicação e expressão. O Decreto nº 5.626/2005 estabelece regras relacionadas ao atendimento às pessoas surdas ou com deficiência auditiva, inclusive no âmbito dos serviços públicos.

O Estatuto da Pessoa com Deficiência também prevê medidas relacionadas à capacitação dos profissionais de segurança pública para o atendimento e a proteção dos direitos das pessoas com deficiência.

Acessibilidade não significa ausência de abordagem

O fato de uma pessoa ser surda não impede que ela seja abordada, identificada ou submetida aos procedimentos legais quando houver uma situação que justifique a atuação policial.

A questão está na forma como essa abordagem é conduzida e na garantia de que a pessoa consiga compreender as orientações e também se comunicar adequadamente com os agentes.

Em situações envolvendo pessoas surdas ou com deficiência auditiva, podem ser utilizados recursos como Libras, comunicação escrita, leitura labial quando possível ou outras formas de comunicação acessíveis, de acordo com as necessidades da pessoa e as circunstâncias da ocorrência.

Por isso, a discussão provocada pelo vídeo não precisa ser transformada em uma disputa entre polícia e pessoa com deficiência. O ponto central é verificar se, naquela situação específica, os procedimentos adotados foram compatíveis com a dignidade da pessoa, a proporcionalidade da atuação policial e as garantias de acessibilidade.

Identificação do policial aparece ilegível

Outro detalhe observado nas imagens é a identificação nominal posicionada no peito do uniforme do policial. Embora exista uma etiqueta de identificação, a inscrição não apresenta nitidez suficiente no vídeo para permitir que o nome do agente seja identificado com segurança.

A identificação deverá ser confirmada oficialmente junto à Polícia Militar, a partir dos registros funcionais e da escala de serviço dos policiais responsáveis pela segurança do local.

Também será importante esclarecer qual era a unidade policial empregada na estação, quais eram as atribuições dos agentes destacados para a segurança dos usuários do BRT e quais protocolos são adotados em abordagens envolvendo pessoas com deficiência auditiva.

Caso deve ser esclarecido

O vídeo deixa uma série de perguntas que somente uma apuração completa poderá responder.

Entre elas estão a origem do ferimento observado no rosto do cidadão, as circunstâncias que levaram à abordagem, a forma como ocorreu a comunicação depois que passageiros informaram que ele era surdo, a necessidade da retirada da arma do coldre e o motivo pelo qual os pertences e o documento foram lançados ao chão.

Também é necessário esclarecer quais providências foram adotadas após a ocorrência e se houve algum registro formal do episódio.

O Rio das Ostras Jornal publica as imagens e relata o episódio sem antecipar qualquer julgamento sobre a responsabilidade individual dos policiais envolvidos. O objetivo é registrar o que aparece na gravação e levantar questões que possam ser esclarecidas pelos órgãos responsáveis.

Por envolver uma pessoa com deficiência auditiva e agentes públicos responsáveis pela segurança dos usuários do transporte, o caso merece esclarecimento e, se necessário, apuração pelos órgãos competentes.

A reportagem permanece aberta para manifestação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, do BRT, da pessoa envolvida, de seus familiares, representantes legais ou entidades de defesa dos direitos das pessoas com deficiência.

Caso sejam apresentados novos elementos, documentos, esclarecimentos ou a identificação oficial dos agentes, a matéria poderá ser atualizada.

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