Rio de Janeiro: Ônibus viram barricadas e fecham vias em resposta a operação policial | Rio das Ostras Jornal

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Rio de Janeiro: Ônibus viram barricadas e fecham vias em resposta a operação policial

Rio de Janeiro: Ônibus viram barricadas e fecham vias em resposta a operação policial
Foto: Reprodução/TV Globo

O Rio de Janeiro viveu momentos de tensão nesta segunda-feira (27), quando criminosos utilizaram pelo menos cinco ônibus como barricadas para bloquear importantes vias na Zona Oeste. A ação foi uma resposta direta a uma etapa da Operação Barricada Zero, da Polícia Militar, no bairro Gardênia Azul.

O bloqueio, que incluiu a Avenida Ayrton Senna, Estrada do Engenho D’Água e Av. Ten. Cel. Muniz de Aragão, causou um caos no trânsito e afetou o itinerário de 19 linhas de transporte público. A mobilização criminosa ocorreu após a prisão de Philip do Nascimento Firmino, conhecido como Bacurau, apontado como gerente-geral do tráfico na região e ligado ao Comando Vermelho (CV).

Operação Barricada Zero e a Reação Criminosa

Equipes do 18º BPM (Jacarepaguá) foram atacadas por homens armados durante a operação. A porta-voz da corporação, tenente-coronel Claudia Moraes, confirmou que uma base da PM no local também foi alvo dos bandidos. Além dos ônibus, pneus, caçambas de lixo e outros objetos foram incendiados para intensificar os bloqueios, transformando as vias em um cenário de guerra.

A Polícia Militar tem atuado intensamente na área há semanas, combatendo a expansão territorial do crime organizado. "Eles sempre buscam colocar a população como refém", destacou a tenente-coronel Moraes, ressaltando a estratégia dos criminosos de usar a comunidade como escudo. Durante a ação, um fuzil foi apreendido, reforçando a seriedade da ameaça enfrentada pelas forças de segurança.

Guerra por Território: O Pano de Fundo da Violência

A escalada da violência na Gardênia Azul está inserida em um conflito maior: a guerra por território entre o Comando Vermelho e a milícia que domina Rio das Pedras, berço da milícia no Rio e um dos últimos redutos na região. Moradores da Região dos Lagos e do Norte Fluminense acompanham com preocupação a instabilidade que se espalha pelo Interior do RJ.

O interesse do CV em Rio das Pedras, a segunda maior favela do país com 23.846 residências, é duplo. Primeiramente, a facção busca aumentar seus lucros através de extorsões e outras atividades ilícitas, que, segundo estimativas policiais, podem render cerca de R$ 2 milhões mensais aos paramilitares. Em segundo lugar, a conquista de Rio das Pedras fecharia um cinturão de domínio do CV na região, estrategicamente localizada entre a Barra da Tijuca e a Cidade de Deus, em Jacarepaguá.

Os combates se intensificaram nos últimos meses. Em 19 de julho, câmeras de segurança registraram seis criminosos armados invadindo um condomínio em Rio das Pedras, rendendo funcionários e destruindo equipamentos. Pouco antes, em 18 de junho, houve uma debandada nas fileiras da milícia, com Kauan de Oliveira Teles e outros oito milicianos migrando para o lado do CV. Em 24 de junho, um drone chegou a ser usado para lançar um artefato explosivo sobre a comunidade, atingindo uma casa e gerando desespero entre os moradores.

Investigações da polícia apontam que o CV utiliza a localidade do Caranguejo, dentro de Rio das Pedras, como esconderijo, recebendo apoio de áreas como Gardênia Azul e Cidade de Deus. A ordem para a tomada das áreas da milícia teria partido de figuras como Edgar Alves de Andrade, o Doca, e outros líderes da facção.

O Rio Ônibus confirmou que quatro coletivos foram alvo dos criminosos, que retiraram as chaves e os atravessaram nas vias. Os veículos pertenciam às linhas 692 (Méier x Alvorada), 353 (Gardênia Azul x Terminal Gentileza) e 861 (Rio das Pedras x Curicica). A Mobi-Rio, empresa da prefeitura do Rio, informou que um ônibus da linha 54 (Terminal Centro Olímpico x Anil) também foi parado e usado como barricada na Gardênia Azul, embora estivesse sem passageiros a caminho da garagem.

A operação da linha 54 havia começado no sábado, marcando seu primeiro dia útil de circulação quando foi impactada. Além dos quatro veículos diretamente usados como barricadas, outras 19 linhas tiveram seus itinerários afetados, causando transtornos significativos para os passageiros que dependem do transporte público na Costa do Sol e adjacências.

A Polícia Militar mantém a ocupação na Gardênia Azul por tempo indeterminado, visando conter a expansão do Comando Vermelho e restabelecer a segurança na região. Para informações atualizadas sobre a segurança pública no estado, é possível consultar fontes como o G1 Rio. O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.

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