Novo Atlas revela como gênero e raça impedem ascensão social no Brasil | Rio das Ostras Jornal

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Novo Atlas revela como gênero e raça impedem ascensão social no Brasil

Novo Atlas revela como gênero e raça impedem ascensão social no Brasil
Reprodução Agência Brasil

Um novo estudo divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) e Prospera Lab revela que fatores como gênero, raça e origem familiar são determinantes cruciais para a baixa mobilidade social no Brasil. O levantamento, batizado de Atlas da Mobilidade Social, oferece uma plataforma pública detalhada sobre as chances de ascensão econômica no país.

A pesquisa aponta que a probabilidade de jovens de famílias mais pobres permanecerem nesse estrato é significativamente maior, especialmente para não brancos e mulheres. Os dados trazem um panorama desafiador para a construção de uma sociedade mais equitativa, com implicações diretas para regiões como a Região dos Lagos e o Norte Fluminense.

Desigualdade de Raça e Gênero Aprofunda Barreiras

A análise do Atlas da Mobilidade Social mostra que a cor da pele e o gênero são entraves poderosos na trajetória de vida dos brasileiros. Entre jovens brancos que nasceram em famílias situadas entre os 25% mais pobres da distribuição de renda, 36,3% permanecem nessa condição na vida adulta. Para os não brancos, esse percentual salta para 51,6%, evidenciando o peso da questão racial.

A disparidade de gênero é igualmente marcante. Filhos de pais que estavam entre os 25% mais pobres da população têm chances diferentes de ascensão: cerca de um terço dos homens (32,9%) permanece nesse mesmo estrato de renda na vida adulta, enquanto para as mulheres a proporção atinge 65,1%. O cenário é ainda mais desafiador para mulheres não brancas, onde 69% continuam entre os 25% mais pobres quando adultas, contra 52,9% das mulheres brancas.

O Peso da Origem Familiar na Ascensão Social

A origem familiar é um fator crucial na determinação da mobilidade social. O estudo mostra que filhos de pais que estavam entre os 25% mais pobres da população enfrentam uma chance de 48% de permanecer no mesmo grupo de renda quando atingem a idade adulta. A quebra desse ciclo é rara: apenas 8,32% conseguem alcançar o grupo dos 25% mais ricos e somente 1,28% chegam ao seleto estrato dos 10% com maior renda do país.

Em contraste, a situação é bem diferente para quem nasce em famílias de maior renda. Jovens cujos pais pertenciam à faixa intermediária da distribuição de renda (entre os 26% e os 75% dos mais ricos) têm 17,5% de probabilidade de alcançar o grupo dos 25% mais ricos na vida adulta. Já entre os filhos das famílias que pertenciam aos 25% mais ricos, 56,5% permanecem nesse mesmo patamar quando adultos e 30,8% atingem o grupo dos 10% mais ricos.

Persistência da Desigualdade entre Gerações e Regiões

A pesquisa também comparou duas gerações, nascidas entre 1983 e 1987 e entre 1988 e 1990, revelando que, apesar de um leve aumento na mobilidade social, a ascensão dos filhos permanece muito ligada à dos pais. A chance de filhos de pais nos 25% mais pobres ascenderem aos 25% mais ricos subiu de 7,9% para 8,8% entre as gerações, uma variação mínima que sublinha a resiliência da baixa mobilidade social.

Regionalmente, o Atlas destaca disparidades acentuadas. As maiores probabilidades de ascensão social se concentram nas regiões Sul, Sudeste e em partes do Centro-Oeste do Brasil. Por outro lado, grande parte do Norte e do Nordeste apresenta as menores taxas de mobilidade, indicando que a pobreza tende a ser mais persistente entre gerações nessas áreas, um desafio que se reflete em todo o Interior do RJ.

Os contrastes entre os municípios brasileiros ilustram a magnitude das desigualdades de oportunidades. Em Assis Brasil (AC), 84,4% dos jovens oriundos de famílias que pertenciam aos 25% mais pobres permanecem no mesmo grupo de renda quando adultos, um dos piores resultados do país. Já em Ponte Serrada (SC), apenas 2,13% dos jovens ficam nessa condição, mostrando a vasta diferença de oportunidades entre municípios.

Educação como Pilar da Ascensão Social

Entre os indicadores socioeconômicos incorporados ao Atlas, a educação emerge como a dimensão mais associada à mobilidade social. Municípios com melhores indicadores educacionais, como maior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e menor distorção idade-série, tendem a apresentar maiores chances de mobilidade ascendente.

Para Paulo Tafner, presidente do Imds,

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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