
A Espanha conquistou a Copa do Mundo de 2026, e a figura central por trás desse triunfo foi o técnico Luis de la Fuente. Aos 65 anos, o comandante, antes pouco conhecido no cenário internacional, guiou a Fúria ao bicampeonato mundial em uma campanha que celebrou a coletividade e a essência do futebol espanhol.
O sucesso veio após a saída do renomado Luis Enrique, com a federação espanhola apostando em um profissional que conhecia profundamente os jogadores e a identidade vitoriosa do país. Essa identidade foi consolidada nas décadas de 2000 e 2010, período em que a Espanha faturou duas Eurocopas e seu primeiro Mundial em 2010, influenciando o futebol global com o estilo tiki-taka.
De la Fuente: da formação à glória mundial
Nascido na pequena cidade de Haro, Luis de la Fuente teve uma infância marcada pela ausência do pai, um mercador marítimo, sendo criado pela mãe ao lado de quatro irmãos. Essa experiência moldou seu forte senso de coletividade e afeto, valores que se tornaram pilares em seu trabalho como treinador.
Sua paixão pelo futebol começou nas ruas e se profissionalizou no Athletic Bilbao, onde jogou por nove anos como lateral-esquerdo. Embora sua carreira como atleta tenha sido discreta, ele fez parte do elenco histórico que conquistou o Campeonato Nacional duas vezes consecutivas, em 1983 e 1984. Após passagens por Sevilla e Alavés, aposentou-se dos gramados em 1994, aos 33 anos.
A trajetória de treinador de De la Fuente começou em 1997, com uma ascensão constante e cautelosa. Após passagens por clubes menores, teve sua primeira grande chance no comando do Sevilla FC Juvenis. Foi lá que, curiosamente, teve seu primeiro contato com um jovem Lionel Messi em 2004, em um duelo pela Copa do Rei Sub-19 que terminou com quatro gols do craque argentino em 15 minutos.
Após quatro anos em Sevilla, Luis retornou ao Athletic Bilbao para comandar diferentes divisões de base, aprimorando sua expertise na formação de jogadores. O Bilbao, conhecido por não contratar atletas de fora do País Basco, é um exemplo de sucesso na lapidação de talentos, mantendo-se entre os únicos três clubes nunca rebaixados na primeira divisão espanhola.
A filosofia coletiva e a conexão com os atletas
A chegada de Luis de la Fuente à seleção espanhola principal após a Copa do Mundo de 2022, substituindo Luis Enrique, marcou o auge de uma carreira dedicada ao desenvolvimento do futebol de base. Entre 2013 e 2018, ele comandou a equipe sub-19, sendo campeão europeu, e depois a sub-21, conquistando mais um título da Eurocopa.
No comando da Fúria, o experiente profissional não sentiu a pressão, construindo um trabalho de excelência. Em 2023, a Espanha venceu a Nations League, seguida pela Eurocopa em 2024 e, agora, o Mundial de 2026. De la Fuente se tornou o técnico mais velho a triunfar na história do torneio, um feito notável para o Norte Fluminense e toda a Região dos Lagos que acompanham o esporte.
Sua filosofia de trabalho, focada na coletividade e no afeto, é um reflexo de sua vida pessoal. De la Fuente ministrou cursos de treinador na federação espanhola, tendo como um de seus alunos Lionel Scaloni, o técnico argentino que ele superou na final do Mundial de 2026. “Eu escuto muito, gosto de aprender sempre”, afirmou o treinador, demonstrando humildade e constante busca por conhecimento.
A profunda familiaridade com os jogadores é outro pilar de seu sucesso. Nomes como Unai Simón, Marc Cucurella, Rodri, Fabián Ruiz, Dani Olmo, Pedri e Mikel Merino foram acompanhados por ele desde as categorias de base. Essa relação de confiança e o tratamento afetuoso transformaram o comandante em uma figura quase paternal para a equipe, que ele descreve como uma “família”.
A Copa do Mundo de 2026, inicialmente apelidada de “Copa dos protagonistas” por contar com estrelas como Mbappé, Messi e Haaland, viu a Espanha triunfar com a equipe mais coletiva. O volante Rodri, peça fundamental no funcionamento do conjunto espanhol, foi condecorado com a Bola de Ouro da FIFA, reforçando a visão de De la Fuente de que o sucesso vem do trabalho em equipe. Até mesmo o jovem talento Lamine Yamal, de 19 anos, teve sua expectativa controlada pelo técnico, que sempre priorizou o poder do grupo.
Fora dos gramados, Luis de la Fuente é um homem discreto, casado e pai de três filhos. Religioso e apreciador de história e filosofia, ele frequentemente cita pensadores como Júlio César, reforçando sua crença de que “não há sucesso sem sofrimento”.
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