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Lionel Scaloni rege Argentina rumo a mais uma final de Copa do Mundo

Lionel Scaloni rege Argentina rumo a mais uma final de Copa do Mundo
Reprodução Gazetaesportiva

Lionel Scaloni, o técnico que tirou a Argentina de uma crise e a levou ao topo do futebol mundial, prepara a Albiceleste para mais uma decisão histórica. Neste domingo (19), a seleção enfrenta a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026, no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos arredores de Nova York, buscando consolidar uma era de ouro sob seu comando.

A trajetória de Scaloni, desde a desconfiança inicial como interino até a consagração com o título mundial no Catar, é marcada por uma liderança serena e uma capacidade única de forjar um time resiliente. Agora, ele tem a chance de adicionar mais um capítulo glorioso à história do futebol argentino, enfrentando um novo teste que pode elevá-lo ainda mais no panteão dos grandes treinadores.

A Ascensão do Maestro Inesperado

A imagem de Scaloni desabando em lágrimas nos braços de Leandro Paredes após a conquista da Copa do Mundo no Catar resume sua jornada. Sem o histórico impressionante de ícones como César Luis Menotti ou Carlos Bilardo, Scaloni emergiu como o maestro inesperado que orquestrou o caminho da Argentina até o terceiro título mundial.

As dúvidas e questionamentos surgiram em setembro de 2018, quando Claudio Tapia, presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), entregou o comando da seleção a Scaloni. A eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2018, com derrota para a França, havia mergulhado a Albiceleste em uma profunda crise, encerrando a passagem de Jorge Sampaoli.

Tapia buscou alternativas entre treinadores argentinos renomados na Europa, mas sem sucesso. A aposta recaiu sobre Scaloni, um dos assistentes de Sampaoli no Mundial da Rússia, alguém próximo ao elenco e, crucialmente, a Lionel Messi. Scaloni, que defendeu a seleção em sete jogos como jogador, viveu a Copa do Mundo de 2006 ao lado de um jovem Messi, um vínculo que se provaria fundamental.

Sua nomeação como interino gerou críticas pela falta de experiência. Ele nunca havia comandado um clube, e até Diego Maradona ironizou: “É um grande cara, mas não conseguiria nem controlar o trânsito”. No entanto, Scaloni construiu um projeto baseado em trabalho silencioso, apoiado por colaboradores como Pablo Aimar, Walter Samuel e Roberto Ayala.

“São sempre os jogadores que decidem as partidas. O técnico deve se adaptar a eles”, ele repetia, enquanto a Argentina encontrava sua identidade e deixava para trás anos de incerteza e frustração.

A Era Dourada da Albiceleste

A primeira grande conquista da era Scaloni veio na Copa América de 2021, no Brasil. Após a eliminação na semifinal em 2019, a Argentina alcançou a glória dois anos depois, no Maracanã, ao derrotar a Seleção Brasileira por 1 a 0. Com isso, um jejum de 28 anos sem títulos foi finalmente encerrado, e Messi, então com 34 anos, levantava seu primeiro troféu com a seleção principal.

O ciclo vitorioso continuou em junho de 2022, com a vitória na Finalíssima contra a Itália por 3 a 0, em Wembley. Meses depois, veio a imortalidade no Catar. A Argentina perdeu para a Arábia Saudita em sua estreia na Copa do Mundo de 2022, mas Scaloni manteve a calma e pediu aos argentinos que acreditassem. A equipe reagiu, sobreviveu a jogos de vida ou morte e derrotou a França em uma final épica, decidida nos pênaltis após um empate em 3 a 3 em 120 minutos.

A resiliência da equipe sob a batuta de Scaloni é notável. Na trajetória até a decisão no MetLife Stadium, a Argentina superou adversidades com viradas contra a Inglaterra (2 a 1) na semifinal e Egito (3 a 2) nas oitavas. A equipe também sobreviveu a jogos de alta tensão contra Cabo Verde (3 a 2) na fase de 16-avos e Suíça (3 a 1) nas quartas, ambos decididos na prorrogação. Um time que nunca perde a calma e encontra respostas quando parece estar contra as cordas.

O ciclo vencedor se estendeu à Copa América de 2024, onde a Argentina conquistou novamente o torneio continental ao derrotar a Colômbia por 1 a 0 na final disputada em Miami. Arquiteto da era mais vitoriosa na história da seleção argentina, Scaloni agora encara a possibilidade de conquistar mais uma Copa do Mundo e se tornar o segundo técnico a vencer duas edições consecutivas do torneio, um feito que pertence exclusivamente a Vittorio Pozzo, campeão à frente da Itália em 1934 e 1938.

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