Hedge Investments aposta em recompra de cotas para valorizar Fiis e beneficiar investidores | Rio das Ostras Jornal

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Hedge Investments aposta em recompra de cotas para valorizar Fiis e beneficiar investidores

Hedge Investments aposta em recompra de cotas para valorizar Fiis e beneficiar investidores
Imagem gerada com IA

A Hedge Investments, uma das maiores gestoras de fundos imobiliários (FIIs) do país, com mais de R$ 12 bilhões sob administração, anunciou uma nova rodada de recompra de cotas para o Hedge TOP FOFII 3 (HFOF11). A estratégia, que já se mostrou bem-sucedida em sua primeira fase, visa destravar valor para os cotistas e aumentar a liquidez do fundo, consolidando-se como uma ferramenta importante no mercado financeiro.

A decisão da gestora ocorre pouco mais de um ano após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizar a recompra de cotas pelos FIIs. O HFOF11 foi o pioneiro no Brasil a implementar um programa desse tipo, prática já amplamente consolidada entre as empresas listadas na bolsa de valores (B3).

Como a recompra de cotas impulsiona o valor

No mercado acionário, companhias abertas utilizam a recompra de ações quando consideram seus papéis descontados, sinalizando confiança aos acionistas. Na indústria de fundos imobiliários, a lógica é similar: quando um FII recompra suas próprias cotas abaixo do valor patrimonial e as cancela, a diferença entre o preço pago e o valor contábil pode ser incorporada ao patrimônio dos cotistas remanescentes, gerando valor.

A Hedge Investments foi a primeira a colocar a aprovação da CVM em prática. Em agosto do ano passado, iniciou um programa para adquirir até 11,5 milhões de papéis do HFOF11, equivalente a 5% do total em circulação na época. Segundo André Freitas, CEO da Hedge, a operação gerou ganhos significativos para os investidores ao reduzir o deságio entre o preço de mercado e o valor patrimonial das cotas.

“Antes do programa, o HFOF11 negociava com desconto ao redor de 20% em relação ao seu valor patrimonial”, explicou Freitas em entrevista ao Money Times. Ele complementou que o cancelamento das cotas recompradas melhora automaticamente o valor patrimonial para quem permanece como cotista. A operação foi concluída em cerca de 10 meses, dois meses antes do prazo máximo, resultando em um ganho patrimonial de 0,9% no valor do veículo. Além disso, a recompra aumentou o volume negociado do HFOF11 em quase 20%, funcionando como uma ferramenta de liquidez.

Novo programa em vigor e os desafios da estratégia

Considerando a primeira experiência “bem-sucedida”, a Hedge Investments aprovou um novo programa de recompra para o HFOF11. A nova operação terá início nesta sexta-feira, 17 de julho de 2026, e se estenderá até 1º de julho de 2027. Nesta segunda rodada, a gestora poderá adquirir novamente até 5% das cotas em circulação, o equivalente a 10,9 milhões de papéis, que serão posteriormente cancelados. Paralelamente, a Hedge também realiza um programa de recompra para o HOFC11, fundo imobiliário de lajes corporativas.

Uma das principais dúvidas do mercado é se o uso de caixa para adquirir cotas próprias pode reduzir a capacidade do fundo de realizar novos investimentos (capex). André Freitas esclareceu que a decisão depende da relação entre risco e retorno. “Quando você recompra cotas com um desconto próximo de 20%, a valorização para quem permanece acontece automaticamente. É difícil encontrar outro investimento que entregue esse retorno em um período tão curto”, afirmou, ressaltando que o programa não exclui novas alocações se surgirem oportunidades mais atrativas.

O HFOF11, com patrimônio de aproximadamente R$ 1,6 bilhão, é um fundo de fundos (FOF), o que significa que ele pode investir em cotas de outros veículos com exposição a diversos segmentos, como shoppings, escritórios e galpões logísticos.

Análise de especialistas e o impacto para os cotistas

Especialistas ponderam que a recompra de cotas não é uma estratégia automaticamente positiva, dependendo das condições de execução. Renato Pereira, planejador financeiro (CFP) e sócio-fundador da Private Investimentos, destaca que o mecanismo tende a ser benéfico, mas exige análise cuidadosa da situação de cada fundo. Ele alerta que a recompra utiliza recursos em caixa, diminuindo o patrimônio do FII e a disponibilidade para novas alocações que poderiam oferecer retornos mais atrativos. Outro ponto é o impacto sobre a liquidez, já que o cancelamento das cotas reduz a quantidade de papéis em circulação na bolsa.

Carol Borges, analista da EQI Research, considera o HFOF11 um exemplo de sucesso. Na primeira operação, a Hedge utilizou cerca de R$ 75 milhões para recomprar papéis que representavam aproximadamente R$ 90 milhões em valor patrimonial, gerando um ganho de cerca de R$ 15 milhões incorporado ao valor patrimonial das cotas remanescentes. “Vimos um sucesso e um alinhamento de interesses entre gestão e cotistas nesse sentido”, disse Borges.

No entanto, Borges também ressalta que a recompra pode destruir valor se utilizada inadequadamente, como adquirir cotas acima do valor patrimonial. Ela também menciona o custo de oportunidade e o impacto para a própria gestora no curto prazo, já que a redução do patrimônio do fundo pode diminuir as taxas de administração e gestão. “A recompra pode ser boa ou ruim a depender de como o gestor faz o uso”, concluiu, citando que, desde o início de 2026, diversos FIIs de diferentes gestoras, como Bluemacaw Logística (BLMG11), Zagros Renda (GGRC11), REC Logística (RELG11) e Alianza Trust Renda (ALZR11), já anunciaram o mecanismo.

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