A capital fluminense enfrenta um cenário de caos na mobilidade urbana nesta terça-feira, com a greve dos rodoviários entrando em seu segundo dia. Passageiros de ônibus municipais do Rio de Janeiro estão passando por um verdadeiro sufoco, lidando com veículos superlotados e longas esperas. A paralisação resultou em uma frota drasticamente reduzida, forçando muitos a se espremerem ou a buscarem alternativas mais caras, impactando a rotina de milhares de trabalhadores e estudantes, uma situação que ressoa em toda a Região dos Lagos e Norte Fluminense que dependem da capital.
greve: cenário e impactos
Os terminais e pontos de ônibus, como o Terminal Gentileza e a Central do Brasil, registraram cenas de aglomeração e correria. Com a chegada dos poucos coletivos disponíveis, a disputa por um lugar é intensa, e muitos acabam desistindo por medo de se machucar ou pela impossibilidade física de embarcar. A situação é um reflexo direto da paralisação, que tem gerado transtornos significativos para a população carioca.
Rotina de sacrifício e custos extras para passageiros
A realidade dos passageiros é de cansaço e desespero. Cibele Carla, técnica de enfermagem, relatou ter esperado por horas por um ônibus para Inhaúma, na Zona Norte, após um plantão de 24 horas. Sem sucesso, precisou recorrer a um carro de aplicativo, pagando o dobro do valor habitual, um custo que sai do próprio bolso. "O ônibus costuma passar de cinco em cinco minutos, mas, até agora nada", desabafou.
Similarmente, Dalcir Theodoro, assistente administrativo, esperou por mais de duas horas por um ônibus para a Freguesia, na Zona Oeste, perdendo o horário de trabalho. Ele e outros passageiros, como Luciana Nunes, Maria Joana e Thallis Araújo, aguardavam sentados nos degraus de escadas, registrando a ausência de transporte para mostrar aos empregadores. A frustração é generalizada, com muitos afirmando que "a pessoa é amassada e humilhada" ao tentar embarcar em coletivos tão cheios.
As amigas Mayisa de Barros e Myllena Ferreira, que trabalham em Copacabana, na Zona Sul, também enfrentaram a superlotação e o risco. Após quase 30 minutos de espera em um ponto na Avenida Presidente Vargas, decidiram pagar R$70 por um carro de aplicativo. Mayisa relatou que, em um ônibus anterior da linha 371, "veio muito lotado, com uma pessoa em cima da outra praticamente. Até roubaram o celular de uma moça, pegaram o aparelho da bolsa dela e ela nem sentiu. O ônibus lotado demais, né?".
Alternativas e negociações em curso
Diante do cenário, a Prefeitura do Rio, através do Centro de Operações de Resiliência (COR), orientou a população a priorizar metrô, trens e barcas, que operam normalmente. O prefeito Eduardo Paes reforçou o apelo, destacando que os BRTs, operados pela MOBI-Rio, estão funcionando com 70% da frota programada, um número considerado aceitável para o dia atípico, embora não ideal. A TrensRJ e o MetrôRio informaram que reforçaram suas operações para atender à demanda.
O Rio Ônibus informou que cerca de 1.400 ônibus estão circulando, abaixo dos 1.800 (50% da frota) determinados pela Justiça. A entidade apela para que motoristas compareçam às garagens. A principal expectativa do dia é a audiência de mediação entre o Sindicato dos Rodoviários e o Rio Ônibus, marcada para as 11h no TRT-1 (Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região). Após a reunião, uma assembleia da categoria decidirá os próximos passos do movimento.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, afirmou que a paralisação será mantida até a audiência. Ele destacou a importância do reconhecimento judicial da legalidade da greve, que, segundo ele, valida as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores, como salários defasados e condições precárias nos terminais. Entre as reivindicações estão piso salarial de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais, R$ 5 mil para articulados, aumento no vale-alimentação e jornada 5x2. O TRT-1, além de reconhecer a legalidade, determinou a circulação de 50% da frota, com multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento, e proibiu a contratação de temporários ou demissão de grevistas.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
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