
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal
(STF), determinou nesta sexta-feira (10) a soltura do ex-prefeito de Belford Roxo,
Márcio Canella. O político, que é pré-candidato ao Senado pelo União Brasil
no estado do Rio de Janeiro,
havia sido preso três dias antes após ser flagrado com um fuzil durante uma
operação da Polícia Federal (PF).
Canella foi detido na terça-feira (7) durante a 6ª fase da
Operação Unha e Carne. Agentes da PF encontraram um fuzil calibre .556 dentro
do veículo do ex-prefeito. Ele alegou que a arma pertencia ao policial militar
responsável por sua segurança, justificativa que, segundo a decisão de Moraes,
ainda precisa ser esclarecida no curso das investigações. Medidas cautelares e
o futuro político de Canella, apesar da soltura, o ministro impôs rigorosas
medidas cautelares a Márcio Canella. Ele terá que usar tornozeleira eletrônica,
entregar seu passaporte e terá o porte de arma suspenso. Essas condições
permitem que o ex-prefeito responda ao processo em liberdade, mas com
restrições significativas.
A situação de Canella, uma figura proeminente na política fluminense, gera grande
repercussão. Sua pré-candidatura ao Senado, com apoio do senador Flávio
Bolsonaro, adiciona uma camada de complexidade ao cenário eleitoral do Rio de Janeiro.
A decisão de Moraes, embora garantindo a liberdade
provisória, mantém o foco das investigações sobre as alegações de Canella e o
contexto da Operação Unha e Carne.
A Operação Unha e Carne e o esquema de lavagem de dinheiro A
6ª fase da Operação Unha e Carne, que levou à prisão de Canella, tem como alvo
uma vasta rede de postos de combustíveis no Grande Rio. A investigação aponta para um suposto esquema de
lavagem de dinheiro que teria movimentado impressionantes R$ 7,6 bilhões, com a suposta anuência
de políticos.
A ação da PF cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em
diversos municípios, incluindo Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e a
capital fluminense. Durante as buscas, a PF apreendeu armas, joias, dinheiro em
espécie e carros de luxo na residência de um dos alvos em Niterói.
A Justiça também determinou o sequestro de bens e valores,
além da suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo
investigado. Os envolvidos podem responder por crimes como organização
criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. Esta operação se
insere em um contexto mais amplo, seguindo a determinação do STF no âmbito da
ADPF 635/RJ. Essa decisão estabeleceu que a Polícia Federal deveria conduzir
investigações sobre as relações de agentes públicos com facções criminosas,
reforçando o compromisso com a transparência e a legalidade na administração
pública do Interior do RJ e
de todo o estado.
Trajetória política e
alianças de Márcio Canella
A carreira política de Márcio Canella é marcada por diversas
passagens em cargos eletivos. Ele foi eleito vereador de Belford Roxo em 2012
e, em 2015, conquistou uma cadeira como deputado estadual, cumprindo três
mandatos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Durante esse período, licenciou-se
para atuar como vice-prefeito de Belford Roxo, entre 2017 e 2019. Sua
trajetória política também reflete as dinâmicas de alianças e rupturas.
Canella e o atual prefeito de Belford Roxo, Waguinho, foram
aliados, mas se afastaram após as eleições presidenciais de 2022, quando
Canella apoiou Jair Bolsonaro e Waguinho optou por Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 2024, Canella foi eleito prefeito da cidade e, em abril
de 2026, renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, sendo sucedido pela então
vice-prefeita Mariana Malta. O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e os
desdobramentos da Operação Unha e Carne no estado do Rio. Para mais informações sobre a Região dos Lagos, Macaé e Norte Fluminense, continue
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