Ex-delegado de Rio das Ostras é preso em esquema que pode ter desviado R$ 86 milhões dos cofres públicos | Rio das Ostras Jornal

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Ex-delegado de Rio das Ostras é preso em esquema que pode ter desviado R$ 86 milhões dos cofres públicos

O grupo é investigado por crimes de organização criminosa, corrupção
passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.

Uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizada nesta quinta-feira (9) colocou no centro de uma das maiores investigações recentes sobre corrupção no estado um ex-delegado que já comandou a 128ª Delegacia de Polícia de Rio das Ostras. Franquis Nepomuceno foi preso sob suspeita de integrar uma organização criminosa investigada por desviar mais de R$ 86 milhões em recursos públicos.

A ação teve como alvo um grupo acusado de operar um esquema envolvendo contratos do Instituto Rio Metrópole (IRM), autarquia estadual responsável por projetos de desenvolvimento urbano e regional. Além do ex-delegado, outras quatro pessoas foram presas por determinação da Justiça.

Entre os detidos estão o presidente do Instituto Rio Metrópole, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê; o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva; a ex-fiscal do instituto Caroline Soares Barros; e Amanda Íthala da Paschoa.

Segundo o Ministério Público, o grupo é investigado por crimes de organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações e lavagem de dinheiro. As apurações apontam que o esquema teria operado por quase quatro anos, provocando um rombo superior a R$ 86 milhões nos cofres públicos entre julho de 2022 e maio de 2026.

Como funcionaria o esquema

De acordo com a denúncia, empresas contratadas pelo Instituto Rio Metrópole realizavam transferências de recursos para o Instituto BIO (Brazilian Institute of Organics), entidade que, segundo os investigadores, teria sido utilizada para ocultar a origem do dinheiro.

O Ministério Público afirma que parte dos valores era posteriormente sacada em espécie, dificultando o rastreamento das movimentações financeiras e a identificação dos beneficiários finais do esquema.

As investigações também apontam que contratos públicos teriam sido direcionados a empresas previamente escolhidas, mediante articulação interna dentro do próprio instituto.

Entre os investigados está Maurício Silva Knoploch, diretor de Planejamento e Projetos do IRM, apontado como um dos responsáveis pelo suposto direcionamento de contratos e pela estruturação das operações investigadas.

Mandados em três cidades

A ofensiva foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF). Ao todo, 11 pessoas são alvo das investigações.

Além das prisões, agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, São Gonçalo e Teresópolis. Documentos, computadores, celulares e outros materiais foram recolhidos e serão submetidos à perícia.

A expectativa dos investigadores é que os equipamentos apreendidos permitam rastrear novas movimentações financeiras e identificar outros possíveis envolvidos.

Auditorias deram origem à investigação

O caso começou a ser apurado após auditorias realizadas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que identificaram indícios de irregularidades em contratos firmados pelo Instituto Rio Metrópole.

Os relatórios produzidos pelos órgãos de controle foram encaminhados ao Ministério Público, que aprofundou as investigações e reuniu elementos considerados suficientes para solicitar as medidas cautelares autorizadas pela Justiça.

Governo se posiciona

Em nota oficial, o Governo do Estado informou que a atual presidência do Instituto Rio Metrópole exerce mandato fixo previsto em lei e iniciado durante a gestão estadual anterior.

O Executivo estadual também destacou que colaborou com as investigações e reafirmou seu compromisso com a transparência, a fiscalização dos gastos públicos e o combate à corrupção.

A operação desta quinta-feira representa mais um desdobramento de uma investigação que ainda está em andamento e que poderá revelar novos envolvidos e ampliar o alcance de um esquema que, segundo o Ministério Público, provocou prejuízos milionários ao patrimônio público fluminense.

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