
Os preços do petróleo registraram queda nesta terça-feira (21), com o mercado global reagindo a relatos de possíveis esforços de mediação entre os Estados Unidos e o Irã. Essa movimentação ocorre em um cenário de contínuos ataques mútuos entre os dois países e ameaças de bloqueio naval à Arábia Saudita por parte dos houthis do Iêmen, impactando o cenário econômico global que pode influenciar indiretamente o mercado de combustíveis e a economia de regiões como Macaé e Rio das Ostras, polos importantes do setor de petróleo e gás no Norte Fluminense.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíram 0,9%, atingindo US$ 88,44 por barril. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência nos Estados Unidos, recuou 0,9%, cotado a US$ 82,50 por barril, enquanto o contrato mais negociado para entrega em setembro registrou perda de 0,5%, fechando em US$ 82,07 por barril.
Esperança de cessar-fogo em meio a divergências
Analistas do ING apontam para uma "esperança de uma redução da escalada entre os Estados Unidos e o Irã". Há informações de que mediadores estão propondo um cessar-fogo de 10 dias, com o objetivo de restabelecer o Memorando de Entendimento provisório assinado em junho. Este acordo visava pavimentar o caminho para um entendimento duradouro que encerrasse o conflito iniciado em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
No entanto, o banco ressalta que o caminho para a paz não será fácil, dadas as profundas divergências persistentes entre Washington e Teerã. Além disso, o presidente americano, Donald Trump, advertiu sobre retaliações após a morte de militares norte-americanos. Um alto funcionário iraniano confirmou à Reuters ter recebido a proposta de cessar-fogo de 10 dias, buscando preservar o acordo de 17 de junho.
Ataques e ameaças intensificam a cautela
O esforço diplomático surge após uma noite de bombardeios dos Estados Unidos contra cidades iranianas e ataques da Guarda Revolucionária do Irã a instalações militares norte-americanas na região. Posteriormente, o Comando Central dos EUA informou ter iniciado uma nova rodada de ataques contra o Irã na segunda-feira (20).
A tensão se estende ao transporte marítimo. Um navio petroleiro que navegava pelo Estreito de Ormuz relatou ter sido atingido por um projétil de origem desconhecida, forçando a tripulação a abandonar a embarcação. A agência Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) confirmou o incidente nesta terça-feira. A cautela aumentou, resultando na diminuição do número de embarcações que atravessam o estreito, uma rota vital para o comércio global de petróleo.
Adicionalmente, os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, anunciaram na segunda-feira (20) a intenção de impor um bloqueio naval à Arábia Saudita. Essa ameaça abre uma nova frente de conflito contra os Estados Unidos e expande os riscos ao fornecimento global de energia e ao comércio internacional, para além da região do Golfo. Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, destacou que as ameaças dos houthis são "significativas porque aumentam o risco de interrupções nas exportações de outro grande produtor de petróleo".
Enquanto isso, uma pesquisa preliminar da Reuters divulgada na segunda-feira indicou que os estoques de petróleo bruto dos Estados Unidos devem ter recuado na semana passada, assim como os de gasolina, enquanto os estoques de destilados provavelmente aumentaram. O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e as repercussões no mercado global.
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