
O renomado líder indígena kayapó, Cacique Raoni Metuktire, apresentou uma significativa melhora em sua função renal, conforme o mais recente boletim médico divulgado neste domingo (12). Internado no Hospital São Paulo (HSP/Unifesp) desde junho, Raoni havia enfrentado um segundo episódio de hemorragia digestiva na última sexta-feira (10), gerando preocupação sobre seu estado de saúde.
Apesar do recente susto, a equipe médica responsável pelo tratamento informou que o cacique está consciente, respondendo a comandos e respirando em ar ambiente, o que indica uma evolução positiva em seu quadro clínico. Além da melhora na função renal, ele também demonstra progressos na tosse com secreção e já aceita alimentação por via oral, um passo importante em sua recuperação contínua.
Histórico de Saúde e Internações Recorrentes
A internação atual de Cacique Raoni no Hospital São Paulo teve início em 14 de junho, após ser diagnosticado com sepse pulmonar associada a uma pneumonia broncoaspirativa. Os sintomas, incluindo episódios de vômito, manifestaram-se um dia antes em sua residência, na região de Peixoto de Azevedo, Mato Grosso. A transferência para a capital paulista foi definida por uma avaliação conjunta das equipes médicas, visando dar continuidade a um tratamento mais especializado e acompanhamento cirúrgico.
Este não é o primeiro desafio de saúde enfrentado pelo líder kayapó. No último dia 30 de junho, Raoni já havia sofrido um sangramento no estômago e no duodeno, que foi prontamente estabilizado após uma endoscopia. Esse episódio o levou à UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) para observação, de onde foi transferido para uma enfermaria em 6 de julho.
A nova internação em São Paulo ocorreu menos de um mês após Raoni ter recebido alta do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, onde havia sido hospitalizado em maio por mal-estar clínico e complicações respiratórias e gastrointestinais. Antes disso, ele também passou cinco dias internado para tratar dores abdominais relacionadas a uma hérnia. As equipes médicas destacam que o cacique possui comorbidades como DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), insuficiência cardíaca, uso de marcapasso cardíaco e hérnia diafragmática, que exigem acompanhamento constante.
Acompanhamento Médico e Legado de Luta
Em São Paulo, o acompanhamento do Cacique Raoni é conduzido pelo cirurgião Franz Robert Apodaca Torrez, professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp. A relação de Raoni com o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Mato Grosso, foi estabelecida através das Expedições UFMT-Xingu, um projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso que leva atendimento especializado às aldeias da Terra Indígena Capoto/Jarina.
Reconhecido internacionalmente pela incansável defesa da Amazônia e dos direitos dos povos indígenas, Cacique Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970 ao se opor à construção da rodovia Transamazônica. Sua voz se consolidou globalmente em 1989, após uma série de viagens internacionais ao lado do músico britânico Sting, tornando-o um símbolo da luta pela preservação ambiental e cultural. Acompanhar sua saúde é acompanhar a saúde de uma das mais importantes vozes do Brasil e do mundo.
O Rio das Ostras Jornal continua acompanhando de perto as notícias que impactam o Brasil e a Região dos Lagos.
0 comentários:
Postar um comentário
Obrigado pelo seu comentario.
Fique sempre ligado do que acontece em nossa cidade!