A chegada do inverno no litoral fluminense traz um fenômeno natural de grande relevância científica: o retorno das fêmeas de tubarão-galha-preta à Baía da Ilha Grande. O movimento, observado intensamente nos últimos meses, confirma a região como um dos principais berçários e áreas de reprodução da espécie em todo o Atlântico Sul.
tubarão: cenário e impactos
As fêmeas buscam as águas mais quentes e protegidas da Enseada de Piraquara de Fora, em Angra dos Reis, para o período de gestação. Especialistas do Projeto Tubarões da Baía da Ilha Grande, que monitoram a espécie há mais de três anos, reforçam que não há registros de incidentes envolvendo os animais e banhistas na região, destacando o comportamento não agressivo dos tubarões.
Importância ecológica e monitoramento tecnológico
A área já é reconhecida internacionalmente por abrigar a maior agregação de tubarões-galha-preta já documentada. Em expedições anteriores, pesquisadores registraram, por meio de drones, um grupo com 113 indivíduos nadando simultaneamente em Piraquara de Fora. Este dado consolidou o local como um ponto vital para a sobrevivência da espécie, que se encontra ameaçada de extinção.
O monitoramento é realizado pelo Instituto Brasileiro de Conservação da Natureza (Ibracon), em parceria com a Petrobras. A equipe utiliza tecnologias de ponta, como drones, câmeras subaquáticas e sistemas de vídeo remoto, permitindo o acompanhamento dos animais sem causar qualquer interferência em seus hábitos naturais ou ciclo reprodutivo.
Refúgio para diversas espécies marinhas
Além do galha-preta, a Baía da Ilha Grande tem se revelado um refúgio estratégico para outros predadores de topo. Recentemente, a equipe científica registrou, pela primeira vez, a presença de jovens tubarões-tigre na região. O achado reforça a tese de que o ecossistema local é fundamental para a manutenção da biodiversidade marinha no Sudeste brasileiro.
O projeto também foca no futuro econômico sustentável da região. O objetivo é capacitar pescadores artesanais e promover o ecoturismo de base comunitária. Segundo o professor Leonardo Mitrano Neves, da UFRRJ, a preservação desses animais é um pilar para a saúde dos oceanos e para a continuidade da pesca que sustenta diversas famílias no litoral do Rio de Janeiro.
A expectativa é que as fêmeas permaneçam na baía até o mês de outubro. Após este ciclo, os animais iniciam o processo de dispersão, retornando ao mar aberto. O Rio das Ostras Jornal continua acompanhando as pesquisas e os impactos da conservação marinha na nossa região.
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