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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou uma operação nesta quinta-feira, visando o deputado estadual Val Ceasa (PRD) e o ex-vereador pelo Rio Ulisses Marins. Ambos foram alvos de mandados de busca e apreensão, junto com o ex-assessor parlamentar Michael Johnny Vianna Azevedo, sob suspeita de ligação com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
A investigação se concentra na atuação dos parlamentares contra a demolição de um imóvel conhecido como "resort" do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, líder do autodenominado Complexo de Israel, em Parada de Lucas, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A representação do MPRJ destaca a suntuosidade deste e de outros dois imóveis, que contrastavam com as casas do entorno, equipados com academia, piscina e lago artificial.
Peixão e o Complexo de Israel sob a Lupa
As propriedades investigadas, situadas no coração do Complexo de Israel, eram usadas como bases para eventos e reuniões de criminosos. Um dos imóveis, conforme relatório da Polícia Militar citado pelo MPRJ, possuía uma "câmera espiã" camuflada em uma tomada, evidenciando a sofisticação da segurança dos bandidos.
O "resort" de Peixão não era apenas um local de lazer com lago artificial, areia de praia, piscina e campo de futebol. O Ministério Público revelou que uma área terraplanada foi anexada ao imóvel, formando um "monte possivelmente usado para orações", reforçando a complexidade das atividades ali realizadas.
Luxo e Estratégia: Os Imóveis do Tráfico
Outro imóvel, equipado com academia e piscina, contava com uma saída estratégica pelos fundos, permitindo a fuga dos criminosos por becos e vielas durante operações policiais. A simbologia também era marcante: a Estrela de Davi, usada por Peixão como demarcação territorial e símbolo religioso, estampava equipamentos da academia e a cascata de uma das piscinas.
O MPRJ ressaltou que o mobiliário e as benfeitorias dos imóveis eram "absolutamente incompatíveis com atividades sociais destinadas à população carente" da região. Um dos espaços abrigava uma sala ampla com sofás brancos, cozinha americana e um "quarto de luxo", indicando o alto padrão de vida dos ocupantes.
Interferência Política e a Tentativa de Camuflagem
A investigação aponta que, em 11 de dezembro de 2023, Val Ceasa e Ulisses Marins teriam visitado o 16º BPM (Olaria) para verificar o planejamento de uma operação de demolição do "resort" de Peixão. Três dias depois, em 14 de dezembro de 2023, durante uma operação no Complexo de Israel, policiais militares notaram modificações nos imóveis.
O "resort" passou a exibir uma faixa de "colônia de férias", a academia de ginástica foi desmontada e grafites com alusão a símbolos religiosos do tráfico foram apagados e pintados de branco. Para o MPRJ, essa ação foi uma "tentativa de fraude" para camuflar a real destinação dos locais, desmascarada pela inteligência policial.
Ação do MPRJ e as Consequências
O órgão entende que a indução ao erro das autoridades e a tentativa de interceder junto à PM "consubstancia indício suficiente do comprometimento de ambos com os integrantes da facção criminosa Terceiro Comando Puro". Após a operação, a polícia constatou que os imóveis voltaram a ser ocupados por criminosos em 2024, mesmo sem a presença dos alvos nas ações.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso, que revela a complexa rede de influência e poder do tráfico na Região dos Lagos e Norte Fluminense, com desdobramentos que impactam a segurança pública em todo o Interior do RJ. Para mais informações sobre a atuação do Ministério Público, clique aqui.
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