Foto: Márcia Foletto / 06-10-2023
Moradores de Rio das Pedras, comunidade em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, enfrentaram mais uma madrugada de terror nesta segunda-feira, 22 de junho de 2026. A violência eclodiu com uma nova ofensiva de traficantes do Comando Vermelho (CV) para tomar o controle da região, gerando intensos tiroteios contra milicianos que atuam no local.
A Polícia Militar informou que equipes do 18º BPM (Jacarepaguá), que já realizavam a ocupação da comunidade, foram atacadas a tiros e revidaram, resultando em confronto direto. A ocorrência foi registrada na 32ª DP (Taquara), enquanto o policiamento segue reforçado na área para tentar conter a escalada da violência.
A Escalada da Violência e os Antecedentes dos Conflitos
As madrugadas de terror não são novidade em Rio das Pedras. Desde a última quinta-feira, os confrontos entre traficantes e milicianos se intensificaram, culminando no sequestro de um ônibus, que foi utilizado como barricada. A Polícia Civil investiga a possibilidade de que os conflitos tenham sido deflagrados após nove paramilitares terem trocado de lado, passando a integrar o Comando Vermelho.
No sábado, uma ação do 18º BPM (Jacarepaguá) ocorreu na área conhecida como Caranguejo, onde traficantes da maior facção do Rio estariam escondidos. Nesta localidade, assim como na região do Sertão, o CV estaria tentando estabelecer uma base, aumentando a instabilidade na favela. Durante a operação, policiais foram atacados por homens armados, resultando em confronto. Três suspeitos baleados foram presos e encaminhados ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Na ação, foram apreendidos dois fuzis, duas pistolas, munição e cinco granadas.
A Estratégia do Comando Vermelho e o Domínio Territorial
As investidas do CV para dominar Rio das Pedras já duram pelo menos dois anos. Na região do Itanhangá e de Jacarepaguá, o grupo criminoso já conseguiu tomar territórios próximos, como Tijuquinha, Morro do Banco, Muzema, Anil e Gardênia Azul, que antes eram controlados por milicianos. Atualmente, o CV domina boa parte das favelas da região, incluindo a Cidade de Deus e a Gardênia Azul.
A estratégia do Comando Vermelho é formar um cinturão de domínio no entorno da Floresta da Tijuca. A tomada de Rio das Pedras seria crucial para esse plano, facilitando rotas de fuga em caso de operações policiais ou confrontos com grupos rivais. Outras regiões que cercam a floresta e já estão sob o controle do CV incluem Rocinha, na Zona Sul; Morro dos Prazeres, em Santa Teresa; e o Complexo do Lins, na Zona Norte.
Conflito em Rio das Pedras: Um Alvo Estratégico e o Plano de Reocupação
Com aproximadamente 55 mil habitantes, segundo o último Censo, Rio das Pedras representa uma fonte significativa de recursos para a milícia. Estimativas policiais indicam que os paramilitares arrecadam cerca de R$ 2 milhões por mês com a exploração de serviços como TV a cabo, internet e cobrança de taxas de segurança. A comunidade está localizada estrategicamente entre a Barra da Tijuca, um polo de expansão urbana e econômica, e a região de Jacarepaguá.
Diante do cenário de violência, o Governo do Estado do Rio entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF), em dezembro, um plano de reocupação territorial, atendendo à determinação da ADPF 635 (ADPF das Favelas). Este plano priorizará as comunidades da Gardênia Azul, da Muzema e de Rio das Pedras. A escolha dessas áreas se deve à presença dos três principais grupos criminosos do Rio (CV, milícia e TCP), à localização estratégica que facilita fugas e à concentração de áreas de expansão urbana e econômica com alta densidade populacional.
Lideranças por Trás da Ofensiva e o Poder do Crime Organizado
Segundo informações da polícia, a ordem para invadir territórios ocupados por bandos rivais, como é o caso de Rio das Pedras, foi dada por Edgard Alves de Andrade, conhecido como Doca. Com 44 mandados de prisão expedidos pela Justiça, Doca é um dos principais integrantes da cúpula do Comando Vermelho.
Um dos encarregados de comandar essa expansão territorial é Carlos da Costa Neves, o Gardenal, que possui 17 mandados de prisão. Já Juan Breno Malta Rodrigues, o BMW, é apontado como um dos homens de guerra da facção, sendo alvo de 16 ordens de prisão, conforme dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e a situação da segurança na Região dos Lagos e Norte Fluminense.
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