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A Clínica da Família Enfermeira Edma Valadão, localizada em Acari, Zona Norte do Rio de Janeiro, teve suas atividades temporariamente suspensas a partir de 27 de maio, reabrindo em 2 de junho. A medida drástica foi tomada após uma série de incidentes de violência e ameaças de facções criminosas que aterrorizam a comunidade, impactando diretamente os cerca de 20 mil pacientes cadastrados na unidade.
A decisão de fechar a clínica por seis dias, inicialmente prevista até 8 de junho, foi uma resposta à escalada da guerra do tráfico pelo controle da favela de Acari. Atualmente sob domínio do Terceiro Comando Puro (TCP), a região tem sido alvo de tentativas de invasão pelo Comando Vermelho (CV), transformando o cotidiano de moradores e profissionais de saúde em um cenário de constante insegurança.
Escalada da Violência e Ameaças Constantes
Ata de uma reunião extraordinária da unidade detalha a gravidade dos incidentes. Em 22 de maio, um indivíduo armado com fuzil invadiu a clínica, ameaçando dois adolescentes que usavam o bebedouro. No mesmo dia, um funcionário foi coagido a apagar as luzes da unidade e impedido de realizar rondas, sob ameaça de ser alvejado.
Três dias antes, outro profissional foi ameaçado por um criminoso armado em frente à unidade enquanto usava seu celular pessoal. Já em 1º de abril, dois servidores foram forçados, sob ameaça, a realizar um atendimento domiciliar. Esses episódios levaram a equipe a solicitar o fechamento temporário à Coordenadoria de Área Programática (CAP) 3.3 da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e à empresa SPDM, organização social que administra a clínica.
Impacto Direto na Saúde da População de Acari
A interrupção dos serviços da Clínica da Família Edma Valadão, que realiza entre 600 e 700 atendimentos diários, incluindo coletas de sangue, vacinações, curativos e consultas médicas, é um golpe severo para a população de Acari, que é 100% dependente do SUS. Um funcionário da unidade, que preferiu não se identificar, expressou o sentimento geral: “A gente se sente desprotegido. Virou terra de ninguém a unidade.”
A violência também resultou na limitação do atendimento. Antes, o serviço de raio-x da clínica era acessível a pacientes de fora da comunidade via Sisreg (Sistema de Regulação). Agora, apenas pacientes cadastrados de Acari podem ser agendados, restringindo ainda mais o acesso à saúde na Região dos Lagos e no interior do RJ. No último mês, seis funcionários, entre médicos, dentistas e agentes de saúde, pediram transferência, e outros se afastaram por problemas de saúde.
Reabertura Precária e Desamparo dos Profissionais
Apesar da insegurança, os funcionários concordaram em reabrir a clínica nesta terça-feira, 2 de junho, atendendo a um pedido da CAP. A decisão considerou o impacto negativo de um fechamento prolongado, que poderia prejudicar tratamentos essenciais como o de tuberculose e pré-natal. Contudo, a equipe não tem garantias de que a situação de violência melhorará, e uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho será formalizada.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou que, devido à instabilidade no território, o funcionamento foi suspenso para garantir a segurança de usuários e profissionais. A SMS informou que todas as consultas agendadas para o período de fechamento serão devidamente remarcadas. Desde o início do ano, a rede de Atenção Primária do Rio de Janeiro registrou 304 fechamentos totais de unidades de saúde devido à violência, um dado alarmante que reflete a crise de segurança pública na capital e em cidades como Rio das Ostras e Macaé.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso e a situação da segurança nas unidades de saúde do Norte Fluminense.
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