
Uma greve geral em Portugal, convocada para esta quarta-feira (3.jun.2026), está causando grandes transtornos nos aeroportos do país, com estimativa de afetar até 500 voos. A paralisação já resultou no cancelamento de ao menos oito voos entre o Brasil e o país europeu, impactando diretamente passageiros de diversas regiões, incluindo o Norte Fluminense e a Região dos Lagos.
Companhias aéreas como Azul e Latam confirmaram interrupções em suas rotas, enquanto a TAP tenta manter serviços mínimos. A mobilização, organizada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), protesta contra a proposta de revisão da lei trabalhista do governo português, que, segundo os sindicatos, reduz direitos dos trabalhadores.
Impacto nos voos entre Brasil e Portugal
A administração dos aeroportos portugueses emitiu um alerta, orientando os passageiros a verificarem o status de seus voos diretamente com as companhias aéreas antes de se dirigirem aos terminais. Para voos internacionais fora da União Europeia, recomenda-se maior antecedência devido a possíveis restrições no controle de fronteira.
A Latam confirmou o cancelamento de quatro voos: dois de Guarulhos para Lisboa na terça-feira (2.jun.2026) e dois de Lisboa para Guarulhos na quarta-feira (3.jun.2026). Aos passageiros afetados, a companhia oferece três opções: alterar a data da viagem, mudar o destino ou solicitar o reembolso dos bilhetes.
A Azul também cancelou quatro ligações entre Campinas (Viracopos) e Lisboa, ocorridas na terça e quarta-feira. A empresa informou que está prestando assistência aos consumidores atingidos e programou voos extras para mitigar os impactos da greve.
Por outro lado, a TAP informou que operará 79 voos no regime de serviços mínimos durante a paralisação. A companhia aérea portuguesa está em contato com os clientes de voos cancelados que ainda não alteraram suas reservas, buscando minimizar os transtornos. Alguns voos da TAP de e para aeroportos brasileiros foram mantidos, como rotas de Natal, Recife, Belém, Brasília, Rio de Janeiro, Guarulhos, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Motivações da greve geral em Portugal
A greve geral foi convocada pela CGTP em resposta à proposta de revisão da lei trabalhista apresentada pelo governo do primeiro-ministro Luís Montenegro (PSD, direita). A paralisação abrange diversos setores, como transportes, aeroportos, hospitais e escolas, afetando serviços públicos em todo o país. O consulado brasileiro de Lisboa confirmou que opera normalmente, mas pediu compreensão por possíveis lentidões.
A central sindical argumenta que a proposta governamental visa reduzir direitos trabalhistas, mencionando mudanças em contratos a prazo, banco de horas e regras de subcontratação. Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, classificou o texto como um aumento nos mecanismos de exploração e defende sua retirada imediata.
O governo português, por sua vez, defende a reforma como uma medida para conferir maior flexibilidade ao mercado de trabalho. O primeiro-ministro Montenegro minimizou o impacto da paralisação, enquanto a ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, reconheceu os "inconvenientes" mas respeitou o direito à greve.
É importante notar que a União Geral de Trabalhadores (UGT) não aderiu à greve, considerando a mobilização "extemporânea" por entender que a proposta ainda está em fase inicial de tramitação. A CGTP, contudo, insiste que este é o momento crucial para pressionar o governo e o Congresso português durante o processo legislativo. Para mais detalhes sobre a greve, você pode consultar o Poder360.
O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso.
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