
A FIFA está investindo mais de US$ 5 milhões, cerca de R$ 27 milhões, em um projeto científico ambicioso para padronizar os gramados da Copa do Mundo de 2026. Liderada por pesquisadores de universidades americanas, a iniciativa visa garantir condições de jogo idênticas em 16 estádios nos Estados Unidos, Canadá e México, independentemente das variações climáticas e estruturais.
O desafio surgiu com a expansão do torneio, que terá 48 seleções e 104 partidas. Muitos dos estádios selecionados não foram originalmente construídos para o futebol, utilizando gramados sintéticos ou sendo multifuncionais, o que exigiu uma solução inovadora para a instalação e manutenção de campos de alta performance em um curto período. Esse esforço, que mobilizou universidades, produtores rurais e empresas de tecnologia, já desperta interesse em ligas esportivas e campos de golfe, inclusive em regiões como a Região dos Lagos e o Norte Fluminense, que buscam aprimoramento em suas infraestruturas esportivas.
O desafio da uniformidade global nos gramados
Historicamente, a experiência dos jogadores em Copas do Mundo variava conforme a cidade, devido a diferenças de temperatura, solo, drenagem e tipo de grama. Para a Copa de 2026, a FIFA buscou eliminar essa imprevisibilidade. O objetivo principal era alcançar uniformidade e consistência em todos os 16 estádios, centros de treinamento e instalações envolvidas, garantindo que a bola e os atletas tivessem a mesma resposta em qualquer campo.
A tarefa se tornou ainda mais complexa pela vasta distribuição geográfica dos estádios, que abrangem desde climas quentes como Miami e Monterrey, até regiões mais frias como Vancouver, além de arenas abertas, cobertas e em altitudes elevadas. Pesquisadores como John Sorochan, da Universidade do Tennessee, e John “Trey” Rogers III, da Universidade Estadual de Michigan, lideraram o projeto para desenvolver um sistema que funcionasse em todas essas condições, sem comprometer a segurança dos atletas ou o comportamento da bola.
Para isso, os estádios foram divididos em grupos climáticos, e combinações específicas de espécies de grama foram desenvolvidas. Locais mais quentes receberam gramas bermuda, enquanto estádios cobertos e regiões frias utilizaram uma mistura de Kentucky bluegrass e azevém perene. A escolha da espécie, contudo, era apenas uma parte da solução.
Tecnologia "Sod-on-Plastic" e inovação
Uma técnica agrícola de três décadas, conhecida como sod-on-plastic, foi fundamental para o projeto. Ela consiste em cultivar a grama sobre uma camada plástica com poucos centímetros de areia. Essa abordagem faz com que as raízes cresçam lateralmente, formando um tapete compacto que pode ser enrolado, transportado por grandes distâncias e instalado sem os danos usuais de um transplante.
Para a Copa, essa tecnologia foi aprimorada. O manejo passou a incluir recomendações diárias de corte, fibras sintéticas foram incorporadas para reforçar a estrutura, e sistemas de monitoramento acompanham o desenvolvimento do gramado desde o plantio até a instalação final. Estima-se que cerca de 142 quilômetros de tapetes de grama natural foram produzidos, muitos deles transportados em caminhões refrigerados até os estádios.
Estádios como laboratórios vivos
Manter a grama viva e saudável em estádios com pouca ou nenhuma luz solar direta representou um desafio significativo. Em cidades como Atlanta, Houston e Los Angeles, pesquisadores desenvolveram protocolos específicos, utilizando iluminação artificial para compensar a limitação de luminosidade. As equipes criaram combinações precisas de intensidade, espectro e tempo de exposição para replicar condições ideais de crescimento.
A inauguração de um centro de pesquisas dedicado ao projeto ampliou a capacidade dos cientistas de testar diferentes cenários, permitindo manter temperaturas constantes, distribuir luz artificial e trabalhar durante o ano inteiro, eliminando as limitações sazonais da pesquisa. Este avanço na ciência dos gramados esportivos promete um legado que vai além da Copa, influenciando a gestão de campos de alto desempenho em todo o mundo.
O Rio das Ostras Jornal acompanha as inovações que impactam o mundo do esporte e da tecnologia.
Fonte: Universidade do Tennessee
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