
Em uma publicação na rede social X, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) criticou duramente o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, na segunda-feira (1º.jun.2026), referindo-se a ele erroneamente como o "atual ministro da Justiça" do governo Lula.
A confusão e o ataque ocorreram após Lewandowski, que deixou o Ministério da Justiça em janeiro de 2026, expressar preocupação no 14º Fórum de Lisboa, em Portugal, sobre a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.
As declarações de Lewandowski e a reação de Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro usou sua conta no X para repercutir a declaração de Lewandowski. "Ex-juiz da suprema corte e atual ministro da Justiça de Lula, Ricardo Lewandowski, diz que a designação dos EUA de CV e PCC como organizações narcoterroristas ameaça a soberania brasileira e poderia prejudicar líderes empresariais", escreveu o ex-deputado. A postagem gerou repercussão no cenário político nacional, que afeta diretamente debates sobre segurança em regiões como Rio das Ostras e Macaé.
Durante o painel "Pacto federativo: governança democrática e sustentabilidade fiscal" no Fórum de Lisboa, Lewandowski afirmou que a medida norte-americana "pode representar um atentado à democracia e dificultar os investimentos estrangeiros" no Brasil. Ele enfatizou a necessidade de uma "coordenação centralizada" para a segurança pública, argumentando que o crime organizado, como o PCC e o CV, transcende fronteiras estaduais e nacionais, impactando todo o Norte Fluminense e a Região dos Lagos.
Debate sobre soberania e segurança pública
O ex-ministro defendeu que a responsabilidade pela segurança pública não pode ser entregue apenas aos Estados. "Hoje há um crime organizado que ultrapassa as fronteiras estaduais e nacionais. É preciso que tenhamos uma coordenação centralizada. Por isso, propus a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública para que haja uma coordenação entre as forças de segurança", declarou Ricardo Lewandowski.
A posição de Lewandowski foi interpretada por Eduardo Bolsonaro como uma defesa de "narcoterroristas". "Eu não esperava nada menos de políticos que entram em áreas controladas por esses terroristas sem qualquer resistência, abertamente e em termos amigáveis", disparou o ex-deputado, intensificando o debate sobre a abordagem do governo federal em relação ao crime organizado.
É importante ressaltar que Ricardo Lewandowski pediu demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública em 8 de janeiro de 2026, alegando razões pessoais e familiares. O presidente Lula, em 13 de janeiro, nomeou o advogado Wellington César Lima e Silva para assumir a pasta. Lima e Silva é o terceiro titular da pasta no terceiro mandato de Lula, incluindo o interino Manoel Carlos de Almeida Neto. Ele já havia atuado como advogado-geral da Petrobras e ocupado o Ministério da Justiça por um breve período em 2016, durante o governo Dilma Rousseff.
O Rio das Ostras Jornal acompanha de perto os desdobramentos desses debates políticos que impactam a segurança e a governança em todo o Interior do RJ e a Costa do Sol.
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