Artigo - Por Angel Morote
Vivemos em uma era em que praticamente tudo depende da internet.
Serviços públicos, consultas médicas, emissão de documentos, acesso a
informações oficiais, matrículas escolares e até a participação cidadã passam,
obrigatoriamente, pelo ambiente digital. Porém, em Rio das Ostras, a
acessibilidade digital ainda representa um enorme desafio para pessoas com
deficiência.
Um site público que não possui compatibilidade com leitores
de tela para deficientes visuais, que não oferece audiodescrição, tradução em
Libras ou legendas acessíveis para pessoas surdas, acaba se tornando uma
ferramenta de exclusão social. A informação pública precisa ser acessível para
todos os cidadãos, independentemente da forma como cada pessoa consome
conteúdo.
A acessibilidade digital não é apenas uma questão
tecnológica. Ela é um direito garantido pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº
13.146/2015), que determina que órgãos públicos devem assegurar acessibilidade
nos meios digitais, garantindo autonomia, independência e igualdade de acesso
às informações e serviços públicos.
Na prática, porém, muitos serviços ainda apresentam
barreiras. Um exemplo é a dificuldade enfrentada por pessoas com deficiência
visual ao navegar em páginas institucionais da Prefeitura de Rio das Ostras. Em
vários casos, os sistemas não possuem recursos adequados de leitura por áudio,
contraste eficiente ou navegação acessível para softwares leitores de tela.
Outro ponto importante é a ausência de mecanismos mais
eficientes de comunicação acessível para pessoas surdas, como janelas de
interpretação em Libras em vídeos institucionais, conteúdos legendados e
ferramentas inclusivas nos canais oficiais da administração pública.
Além disso, serviços essenciais como marcações de consultas
médicas e exames poderiam avançar significativamente em acessibilidade e
comunicação. Muitos usuários enfrentam dificuldades para obter informações
sobre agendamentos, remarcações ou confirmações. A utilização de ferramentas
simples, como notificações e comunicação via WhatsApp acessível, poderia
facilitar o contato entre a Prefeitura e os cidadãos, especialmente idosos e
pessoas com deficiência.
A transparência pública também depende diretamente da
inclusão digital. Quando um edital, decreto, comunicado oficial ou informação
relevante é publicado sem acessibilidade adequada, parte da população acaba
excluída do acesso aos seus próprios direitos.
Outro tema que merece atenção é o Conselho Municipal dos
Direitos das Pessoas com Deficiência – COMDEF. Durante minha atuação como
presidente do Conselho, solicitei oficialmente a atualização da página
institucional do órgão, incluindo a publicação dos nomes de todos os
conselheiros, atas, resoluções e atos lavrados pelo Conselho. A proposta
buscava garantir maior transparência e permitir que a população acompanhasse o
trabalho realizado em defesa das pessoas com deficiência no município.
A participação social só existe plenamente quando a
informação circula de forma democrática e acessível. Um conselho municipal
invisível digitalmente acaba afastando a própria população que deveria
representar.
Hoje, diversos padrões internacionais de acessibilidade
digital já existem e são adotados em várias cidades do Brasil e do mundo, como
as diretrizes WCAG (Web Content Accessibility Guidelines), que estabelecem
critérios para tornar sites e aplicativos acessíveis para pessoas com
deficiência visual, auditiva, motora e intelectual.
Como jornalista, comunicador e defensor da inclusão,
acredito que a Prefeitura de Rio das Ostras deve ser exemplo em acessibilidade
digital e comunicação pública inclusiva. A inclusão não pode ficar restrita às
rampas e calçadas. Ela precisa alcançar também os sistemas digitais,
aplicativos, portais oficiais e canais de atendimento ao cidadão.
Em pleno ano de 2026, a exclusão digital ainda afasta
milhares de brasileiros do acesso à informação, dos serviços públicos e do
exercício pleno da cidadania. Uma cidade verdadeiramente inclusiva é aquela que
garante acessibilidade física, social e também digital.
A pergunta que fica é: os sites, aplicativos e sistemas
digitais da Prefeitura de Rio das Ostras passariam hoje em um teste rigoroso de
acessibilidade para todos os tipos de deficiência?

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