
O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel, completou seu quarto dia nesta quinta-feira (29) no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio de Janeiro. A sessão foi marcada por relatos chocantes de supostas agressões atribuídas ao ex-vereador, contradições de testemunhas e momentos de alta tensão no plenário.
Dez das 27 testemunhas previstas já foram ouvidas, e a retomada do júri está agendada para esta sexta-feira. O caso, que chocou o país, continua a expor detalhes perturbadores sobre a vida do casal e a morte da criança de apenas quatro anos, ocorrida em março de 2021, no apartamento da família na Barra da Tijuca.
Contradições e embates em depoimentos cruciais
A sessão começou com um atraso devido a uma jurada que passou mal, mas o julgamento foi mantido. Em seguida, o depoimento da empregada doméstica Leila Rosângela Mattos, funcionária da casa onde Henry morreu, gerou grande repercussão. Ela solicitou depor sem a presença dos réus e foi confrontada pela acusação por contradições em suas declarações.
Inicialmente, Leila negou ter visto Henry mancando ou ter presenciado algo incomum após ele ficar sozinho com Jairinho. No entanto, após insistência da promotoria, ela reconheceu ter ouvido a babá questionar Henry sobre dificuldades para andar, alterando parcialmente sua versão. A promotoria também exibiu mensagens trocadas entre Leila e Monique após a morte de Henry, contestando a alegação da testemunha de que não teria retornado ao trabalho.
Relatos de violência contra Henry e outras crianças
A cabeleireira Tereza Cristina de Souza trouxe um relato impactante ao júri. Ela afirmou ter ouvido Henry, durante uma chamada de vídeo com a mãe, dizer que o “tio” havia lhe dado uma “banda”. Segundo Tereza, o menino estava choroso e perguntou à mãe se a “atrapalhava”. A manicure Paloma Meireles confirmou a versão da colega, adicionando que Monique estava exaltada ao telefone.
Além dos indícios de agressão contra Henry, o júri ouviu testemunhos de outras vítimas. Kaylane Pereira, filha de uma ex-namorada de Jairinho, hoje maior de idade, relatou episódios de agressões que sofreu na infância. Ela contou que Jairinho a levava para um local que hoje acredita ser um motel, onde sofria violências físicas, chegando a usar gesso no braço. Kaylane afirmou que era ameaçada emocionalmente para não contar à mãe.
Outra ex-namorada, Déborah Mello Saraiva, mãe de Enzo, também testemunhou. Ela revelou que seu filho, quando tinha entre dois e três anos, contou anos depois que Jairinho teria colocado pano e papel em sua boca enquanto pisava em sua barriga. Déborah ainda mencionou que estava desacordada, supostamente dopada por Jairinho, no dia em que teria sido estuprada. Ela relembrou um episódio em que Enzo sofreu uma fratura no fêmur após sair sozinho com o ex-vereador.
Tensões e incidentes no plenário
O julgamento também foi marcado por momentos de alta tensão. O advogado Fabiano Tadeu Lopes, defensor de Jairinho, retornou ao tribunal poucos dias após sofrer um infarto. Ele atribuiu o problema de saúde ao uso de anabolizantes e voltou a defender o adiamento do júri, criticando a imparcialidade dos jurados por já terem tido contato com os promotores do caso.
Um incidente notável ocorreu quando a juíza Elizabeth Machado Louro interrompeu a sessão sob suspeita de que uma advogada observava as anotações dos jurados. A magistrada advertiu a advogada, que negou irregularidade e afirmou ter sido “humilhada exageradamente”, deixando o tribunal.
Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação de testemunha e fraude processual, negando qualquer participação no crime. O Rio das Ostras Jornal acompanha o caso, que continua a gerar grande repercussão em todo o estado do Rio de Janeiro e no Norte Fluminense.
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